quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ainda lembro do teu gosto, do teu cheiro, do teu toque.
Ainda lembro das tardes felizes, das crianças na casa, do excesso de nós, dos detalhes mínimos.
Ainda ouso dizer que te conheço, que te compreendo, que entendo as entrelinhas das suas confusões. Entendo teus gestos cortados, teus sorrisos verdadeiros, teu jeito desmantelado, teu jeito nervoso não disfarçado.
Eu não queria ter partido. Não seria feliz, não era mais feliz, mas não queria ter partido. Mas hoje já não há como voltar...

terça-feira, 29 de junho de 2010


Desde ontem, nenhuma lágrima. Alguma irritação, claro, mas nenhuma lágrima. Sei que não vai ser assim por muito tempo, sei que quando eu subir naquele avião não vou me segurar, sei exatamente quem sou. Mas mesmo assim me surpreendo.
Por hoje, preciso acreditar que vai ser simples, assim...


(me deixa fazer drama só hoje, tá?)


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Vou guardar, em uma caixa, várias coisas suas... Vou guardar o bom dia da ultima vez, o brilho no olhar do primeiro café da manhã, o sorriso calmo de quando você dorme, umas várias brincadeiras e muitas conversas. Vou guardar tudo isso em uma caixa, escrever na frente dela seu nome e colocá-la num canto escondido, junto com tanta outras que hoje apenas acumulam pó. 


às vezes é preciso saber a hora de desistir...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem
importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto."

Fernando Pessoa

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Não me entenda mal, mas eu não vou fazer nada. Não vou lhe telefonar, não vou dizer o que a mim parece estar claro: gosto de você. Não.
Não me é cômodo dizer isso, não me é seguro entregar de bandeja meu coração, assim, em uma bandeja de prata, do lado de uma faca afiada.
Vou, apenas, me calar, e esperar. Quem sabe um dia você note? Quem sabe aquele brilho no olhar não seja só loucura minha? Quem sabe eu não tenha mesmo estragado tudo? Quem sabe?
Enquanto isso, borboletas no estômago... 

quarta-feira, 23 de junho de 2010




Ela tinha cílios espessos, negros, e um olhar que independia da cor. Existem olhos que marcam pela cor, extremamente azuis, verdes, negros ou indecifravelmente coloridos. Existem outros que marcam pela expressão, aquela tristeza profunda, aquela empolgação com o mundo, aquela sabedoria inerente.
Os dela marcavam pela expressão, mas esta era tão indecifrável como a cor. 
Não era, no todo, uma mulher fabulosa, e nem de longe uma mulher comum, de um lugar comum. Era uma mulher que aprendera que podia ser fabulosa, e o fazia quando queria, como um botão de liga/desliga, exatamente como uma mulher deve ser.

segunda-feira, 21 de junho de 2010


Venha segunda feira, venha mais uma semana, venha tempo que corre... às vezes mais veloz do que queria, às vezes quase parando, se arrastando... Venha sol de todo dia, venha me acordar, me despertar, me fazer voar. Venha lua, de todo dia?, me fazer sonhar, me fazer reconhecê-lo entre tantos sorrisos.
Venha coragem para me fazer continuar, venha força para não desistir, venha tempo, corra, rápido, faça-o partir mas faça-o voltar.
Que venha mais uma semana! 



imagem linda achada aqui: http://gatekeeper.tumblr.com

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Hoje não quero ver teu olhar de decepção, não quero ver meu olhar de decepção, não quero ver nenhum olhar.
Hoje não quero pensar no que fiz, no como fiz, no porque fiz. Hoje não quero pensar, quero apenas calar e observar o mundo rodar.
Talvez esperar a dor de cabeça passar, o suor frio passar, o mundo parar de gritar.

Hoje eu só que não seja hoje.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Que mulher nunca enlouqueceu por um sapato, por uma bolsa, por um vestido?

A maturidade, e olha o sentimento de ficar velha ai gente!, tem me feito entender que sou consumista. Sim, é um defeito, mas vejam bem, existe uma vantagem em admiti-lo. Digo, até com certo orgulho, que possuo 50 e muitos pares de sapato, que resisto muito bem as tentações de ter uma carro UAU, mas não resisto de forma alguma a um anuncio de promoção nas minhas lojas de sapato favoritas!

Não sou mais aquela menina que não entendia como era possível gastar 200 reais em um único par, agora analiso partindo do ponto da quantidade de endorfina que um sapato de 200 reais vai me fazer liberar. Para que hipocrisia, afinal? 

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Talvez eu só queira um cara.
E ter certeza sobre certas coisas...
Não olhar mais para trás.
Um almoço tranqüilo em um domingo chuvoso.
Um filme com pipoca, em uma sexta de tarde.
Um período de calmaria.
Alguém para conversar.
Alguém com quem chorar.
Alguém com quem sonhar.
Talvez eu só queira algo mais que um amigo que não tenho.
A certeza de não precisar fugir na manhã seguinte.
A confiança do recíproco.
A incerteza leve dos planos feitos no plural.
Talvez eu só queira parar de sentir o gosto de sangue na boca.
Parar de levar porrada todo dia.
Parar de chorar por besteira.
Parar de rasgar coisas imaginando rasgar sentimentos.
Parar de beber para fingir que esqueço.
Parar de por a culpa nos outros, quando sei que fui só eu.
Parar de procurar coisas novas dentro da velha cidade.
Talvez eu só queira imaginar um futuro lindo.
Uma casa branca bem longe.
Crianças correndo por todos os lados.
Sorrisos verdadeiros.
Amigos eternos. 

Talvez eu só queira mesmo me apaixonar de novo

De 2005, mas continua cabendo como uma luva!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Às vezes só é preciso um pouco de calma para analisar tudo e se acostumar. Um pouco de álcool para se deixar levar. Um cigarro aceso nas horas vagas. Um livro roubado de um amor que marcou. Um filme a muito desejado.
Ás vezes só é preciso ter cabeça fria, e um pouco de sangue de barata. Tomar as decisões certas. Esperar o tempo que for preciso. Amar sem medo. Sorrir depois de tudo. Ter sonhos absurdos. Gritar para o vento. Se jogar em pleno dia de semana. Fugir.
Às vezes só é preciso acreditar. Em você mesma, claro. E dar um voto de confiança a alguém. Tentar de novo. Se entregar, de corpo e alma. Não sentir medo. Lutar. 

segunda-feira, 14 de junho de 2010


invejo terrivelmente as pessoas de alma serena. as lineares, as constantes, as bem tecidas. invejo terrivelmente esta felicidade lenta que surge em certos sorrisos, os sorrisos que derivam talvez de experiência, talvez de simplicidade, talvez de sabedoria. seja lá o que for: desconheço.

Desconheço calmaria e linearidade, desconheço dias e noites sob um único querer, desconheço amores únicos, desconheço firmeza nas minhas decisões, desconheço decisões.
Invejo quem tem a capacidade de largar tudo, de ser livre por completo. Não sou assim, e já admito. Com a maturidade, os anos servem para algo, afinal, entende-se que é preciso, antes de tudo, assumir quem você é. Linearidade e desprendimento passam longe de mim. Sou racional na medida que minha confusão passional me deixa ser. Sou irracional.
Invejo as pessoas que não se definem por dicotomias, invejo as pessoas que partem e as que ficam, exatamente por saberem aonde querem estar. Invejo a certeza, seja ela qual for, seja ela do que for, de ser apenas um, nem que apenas por um dia.



Mote daqui, um dos textos mais lindos dos últimos tempos. 

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ter te visto tanto esses dias mexeu um pouco comigo... Por anos, meu deus, já posso falar anos!, tentei entender o que havia acontecido com a gente. Entender como havíamos começado e, principalmente, como havíamos terminado. 
No fim, entendi que você nunca foi uma das minhas grandes paixões. Meu coração não pulava quando te via, minhas mãos permaneciam secas e meu estômago sem nenhuma borboleta. Mas você me fazia feliz. Quando eu lhe via eu apenas estava feliz, sem grandes medos ou grandes nada. 
No início, e no fim, isso me incomodava, minha pressa de viver tudo loucamente me dizia que não era uma boa idéia estar ali com você, que eu perdia tempo, que eu podia perder várias chances por simplesmente estar com você. Mas o tempo passou e antes que eu pudesse controlar, eu estava amando você. E era um amor onde eu não tinha medos, onde eu era apenas eu, sem tentar impressionar ou me esconder. 
No fim, quando acabou, eu tentei me enganar e dizer que não havia sentido nada. Hoje, eu já sorrio e digo que você foi o melhor companheiro que tive, se não o único verdadeiro... e, até, ouso dizer que sinto saudades.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

"Detestava a ideia de que toda atitude sua parecesse sempre tão irremediável, tão definitiva. Na sua cabeça, chamava isso de o peso das consequências, e tinha certeza de que aquilo era mais um dos aspectos obstrutores do pai que, em todos esses anos, enraizara se em seu cérebro. Ela desejava, com avidez,possuir a despreocupação das meninas dasua idade, o sentimento vazio de mortalidade.
Desejava toda a leveza dos seus quinze anos,mas, na busca por alcançá-la, despertava a fúria com que o tempo de que dispunha se esvaía.Assim, o peso das consequências tornava-se, na verdade, insuportável, e os seus pensamentosse punham a girar cada vez mais velozes,em círculos ainda mais apertados.”

Solidão dos Números Primos,Paolo Giordano 

terça-feira, 8 de junho de 2010


não quero voltar para casa
no seu abraço
não busco o que perdi
nunca pensei fazê-la cúmplice
da minha solidão
nem me passou pela cabeça
jogar sujo
com você -





de Fabrício Corsaletti, achado aqui.

e eu, por hora, vou apenas caminhando, vivendo tentando por a agenda em ordem. e quando tudo se acalmar, ou se perder de vez, eu pego uma mochila e vou para casa...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Hei segunda feira, hoje não foi um dia tão ruim...

Alias, de sexta até aqui os dias tem se configurado sobre uma outra perspectiva, um pouco mais de organização, um pouco mais de otimismo, uma luz no fim do túnel... Nada como um calendário para se riscar os dias, mesmo que esses dias sejam muitos, tudo, de repente, muda de figura...

Mas, por hoje, os desenhos me chamam... 


foto do ceu de sampa city, desse blog lindo aqui. um dos maravilhosos achados da web esse fim de semana! 

domingo, 6 de junho de 2010


- Mãe, como é ter meio século?
- É se sentir madura, finalmente. E conviver com as frustrações, decepções e se’s da vida. 


imagem linda daqui. 

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Desde que você chegou na minha vida tem me ensinado o dom da paciência. Paciência essa que nunca foi meu forte, não com pessoas, não com relações. Eu sempre precisei dizer tudo que se passava aqui dentro, mas agora eu apenas calo e espero que tudo caminhe até o seu lugar.
Na primeira época, quando o tarô que eu tirava se recusava a dar qualquer coisa de bom, eu apenas esperei. E você foi. Com você um pedaço que não sabia fazer parte de mim, uma doação tão estranha que nem doação parecia, mas, no fundo, eu sabia que era apenas você que eu queria.
Os dias foram passando, e as cartas foram mudando. Não havia o que ser feito, havia um oceano entre nós. E quando o fim da distancia parecia estar próximo, quando ele de fato esteve próximo, eu entendi, antes mesmo das cartas anunciarem, que ainda não era a hora. Ainda não era meu tempo. Confesso que não entendi nos primeiros minutos, mas depois veio a compreensão e agora eu apenas sorrio feliz quando o horóscopo me diz exatamente o que eu já sei, há mais de um ano, que ainda não é a hora, mas que ela vai chegar. 


Eu Acho isso tão bonito, de ser abstrato,baby. A beleza é mesmo tão fugaz...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Essa é a primeira copa do mundo que faz sentido para mim. Minto, na verdade é a segunda.
A primeira copa do mundo que me recordo é justamente a de 94. Agora, fazendo as contas, percebo que tinha seis anos. Naquele ano, tínhamos um Tv novinha, comprada em muitas prestações num consorcio, lembro também de não ter conseguido assistir a um único jogo. Me inquietava ficar na frente na Tv. Mas lembro da euforia, lembro do barrulho, lembro do festejo.
Na rua na frente de casa, pintaram uma bandeira bem grande no chão, e de todos os fios pendias bandeirinhas verdes e amarelas. Lembro também que me compraram uma blusa verde e amarela e uma sandália daquelas típicas sandálias dos anos 90. Lembro da final, de ter que ficar calada e não entender bem porque todo mundo estava tão serio, lembro do dia seguinte a vitoria do Brasil.

De 94 ate agora ainda tinha animo nenhum para nenhuma copa. A última, por exemplo, parece que deletei por completo da minha cabeça, não consigo lembrar nem onde estava na final! Mas esse ano não... Esse ano as bandeirinhas na rua parecem fazer meu coração saltar; a idéia de já já começaram os jogo, que me encontrarei com os meus amigos no meio de um dia chato para tomar uma cerveja no almoço e passar o resto do dia comemorando uma vitoria me aquece. Não, não me tornei mais patriota nos últimos 4 anos, muito menos aprendi sobre futebol, nem tenho nenhum namorado que esteja querendo encantar, apenas sou mais uma brasileira cansada desse dia a dia exaustivo e louca por uma oportunidade de fugir do mundo real.

a imagem lindíssima é daqui.  

terça-feira, 1 de junho de 2010

"No instante seguinte lembro que ainda quero ter filhos, mas que, assim como muitos netos, eles não vão conhecer um dos avôs. A vida é uma merda. Dói tanto que meus olhos deixam a criança triste, em contato com uma profundidade de tristeza que espero que elas nunca venham a conhecer, mesmo sabendo ser impossível. Dói tanto que chega a doer, de verdade. No peito, principalmente, doutor. É a dor do vácuo, da ausência, a dor do nada no lugar de algo que era grande e bonito. Agora não é feio ou pequeno, só é nada."



Hoje eu passei o dia assim, meio cabisbaixa, meio irritadiça, meio cansada demais, meio aliviada, meio com saudade, meio aliviada, assim, meio mulher demais.
Passei o dia pensando no que escrever, pensei na copa, pensei nele, pensei neles, pensei nas minhas férias, pensei na minha relação com hierarquia, pensei no meu domingo de sol, pensei nele, pensei neles.
Mas tudo, como eu, estava meio assim, na verdade mais assim do que meio. Então eu achei um novo blog, e ele já escreveu tudo por mim, por hoje.
Amanhã, quando eu acordar menos assim, eu escrevo sobre a copa, sobre ele, sobre eles, sobre minhas férias...