segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Querida,
Reli esse texto aqui e uns outros tantos daqui. Pensei no fim do ano. Reli as mensagens. Contei as ligações e as menções positivas no diário. Fiz um balanço das risadas, das manhãs que chegaram muito cedo e das noites que foram muito curtas. Conclui, no fim, que talvez te deva desculpas.
Naquele dia você, possivelmente, não fazia idéia de quem eu era. Eu, naquela quinta feira, como você, nessa quinta feira, não deixei transparecer nada além de leves sinais. Tão discretos que possivelmente você nem notou.
No começo, nessa quinta feira, eu tentei não demonstrar nada. Eu te abracei primeiro. Eu fingi não vê-lo nem senti-lo. Mas eu estava feliz. Feliz como só mulheres que amam sabem ser felizes. Feliz por dessa vez não ser eu a juntar os cacos. Egoistamente feliz.
No começo, eu me portei direito, mantive distancia, dei espaços. Mas há sempre aquele nosso amigo álcool que vem para quebrar barreiras, e no fim eu já não era tão discreta assim, nós já não éramos tão discretos assim e não sei se nessa noite foi você que no fim chegou em casa juntando os seus pedaços.
Talvez não caiba desculpas aqui, mas são quase 2h da manhã, é fim de ano, minha cabeça está, instintivamente  nele, e achei melhor ter a consciência limpa. Egoistamente. Mas quem disse que eu não sou egoísta?! 

B. 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eu não queria. Não te queria. Não queria suar frio antes de ver. Não queria te amar. Não queria te amar a tanto tempo. Não queria te amar sem te dizer.
Eu não queria ser tão entregue. Não queria. Não queria estar mercê dos seus quereres. Não queria ser sua sem ser minha.
Eu não queria não resistir aos teus olhos. Não queria. Não queria ter essa certeza de que você é meu. Não queria te ter só por um segundo. Não queria te ter sem saber se amanhã vou te ter. Não queria te ter sem saber dizer.

Amor, queria te dizer, achei uma musica tão igual a nós, tão nós... 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

teu cheiro, hoje, amanheceu por aqui. e eu lembrei, durante toda a manhã, das idas e vindas. contei-as. e dei-me conta, inesperadamente, que nunca existiu, sequer como possibilidade, um nós. nem minha, nem sua. 


e toda essa atenção, será agora um tempo nós? 


postal meu, abril-2009, um mês colorido; 

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Por anos ela sustentou um porte de mulher incapaz de ser alcançada pela idade. Uma mulher firme, com uma personalidade expressa nos gestos contidos e sérios, de poucos casos, amores, amantes. Em seu rosto, as marcas do tempo era ínfimas diante de tamanha austeridade, era impossível atribuir-lhe uma idade certa.
Agora, tão pouco tempo depois, ela parece prestes a se desfazer. Nada mais de gestos firmes, nada mais de voz empostada. Em seu lugar, um sorriso tímido, como das velhinhas resignadas que encontramos nas igrejas por aí. E no rosto, as marcas do tempo revelaram-se todas, de uma vez, em uma manhã. 

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Foi a primeira segunda feira real depois dessa tempestade, e como já falamos, já faz uma semana...  Agora faz mais, verdade.

Às vezes eu ainda sinto falta dos dias que foram bons, olho o celular e não há nenhum sinal. Às vezes, como quando ele me jogou no mar e rimos, eu tenho certeza de estar no lugar no certo, apesar de saber que ainda não é tempo.

Às vezes eu sinto falta de ter a quem recorrer, alguém com quem contar, reclamar, até mesmo chorar. E penso o quanto eu nunca coloquei ele nesse lugar, o quanto sempre mantive toda essa nossa frieza.


Está tudo confuso, mais do que quando você chegou, mas a poeira vai baixar, pelo menos essa mais verde, mais fina. 

domingo, 28 de novembro de 2010

Vai ficar uma mágoa, e eu só me dei conta disso ontem, enquanto o sol se punha e tocava Natiruts.

Tenho em mim o hábito de me apaixonar perdidamente e inconseqüentemente. Me apaixono, desde que o mundo é mundo, por estranhos em ônibus, por amigos próximos, por figuras inusitadas.  Paixão minha, ilusões minhas. Mas quando esse sentimento rompe a barreira do platonismo caio no risco de nunca mais me desapaixonar, e vou vivendo, nem ligando se a recíproca é verdadeira ou não até um ponto de onde não há mais volta.
Até esse ponto, sou por completo da outra pessoa. Se pedida em casamento, aceito e largo tudo em menos de uma semana. E sou feliz com essa minha devoção. Mas, na primeira magoa, descubro que tipo de paixão é aquela.
O primeiro critério que os mais céticos tem ao se apaixonar ou iniciar qualquer tipo de relacionamento se aplica aí, então. Peso os prós e contras, as vantagens e desvantagens de um relacionamento e quase sempre tomo a decisão mais diametralmente oposta a do começo: me desapaixono com  a mesma velocidade.
Com a mesma velocidade que um dia quis casar, de repente não quero ver, não quero contato, não quero nada. Não que ainda não aja sentimento, há, claro. Mas há preservação, há auto-proteção, há amor próprio...

No fim, quando depois da primeira mágoa, ainda há em mim qualquer vontade de continuar, me desarmo e entendo que talvez esse seja alguém por quem meu coração quer lutar... 

sábado, 27 de novembro de 2010

Vou tentar não pedir nada, nem esperar, nem ficar compulsivamente buscando sinais. Vou interpretar isso como um pequeno recomeço bom, um passo pequeno, nada demais, uma fagulhazinha no meu do nada. Mas confesso, estou, de alguma forma, feliz por te ter aqui. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Amanhã será um dia importante, e eu travisto minha ansiedade em falta de concentração. Já sei que não vou dormir, que cedo vou estar de pé, que vou lavar o cabelo, secá-lo todinho, escolher os sapatos antes de escolher a roupa e que vou passar a manhã fingindo trabalhar, em vão.
Sei que quando for quase a hora do almoço nem vou conseguir sentar de tanta ansiedade, que vou ficar levantando a cada cinco minutos, alternando entre o banheiro e tomar água. Que vou repensar todos os lugares possíveis para almoçar porque já sei que quando você me pegar vai dizer: para onde vamos? E que eu vou chorar no segundo exato que meus olhos tocarem os seus, afinal, você está aqui por minha causa, pela primeira vez...
Então eu vou desabar, mais uma vez, e te contar todas as coisas que ninguém mais ouviu, e você vai me pagar alguma sobremesa de chocolate e eu vou chorar mais ainda e dizer que estou me lembrando dele. E você vai rir. Eu vou falar que tenho medo de nada dar certo, d’eu não dar certo, de perdê-lo mais uma vez, de perdê-la. E você vai me chamar de princesa e me acalmar.
Então eu vou voltar pro trabalho e começar meu segundo turno de espera. Vou esperar a noite chegar, o celular tocar, qualquer sinal que ele queira dar. E quando o sol se por, eu vou sair do trabalho, passar no shopping, quase comprar uma dúzia de sapatos, comer muito, ligar umas trintas vezes para você e chegar em casa atrasada. Vou desfazer a roupa que planejei a semana toda, enjoar do meu cabelo gigante, errar a mão no delineador, perder um brinco em casa, exagerar no perfume e ter medo. Vou parar na frente do espelho, repetir para mim mesma que sei exatamente o que estou fazendo, agradecê-lo mentalmente por existir ali. E vou rezar para que ele não esteja de vermelho. Então vou vê-lo. E toda certeza conquistada nos últimos meses vai desaparecer magicamente, eu vou engolir um enxame inteiro de borboletas agitadas, vou sorrir como criança. Vamos procurar coisas que eu coma no cardápio, e ele vai implicar, depois vai pedir queijo e beberemos um bocado, pra espantar o nervosismo mutuo. Ele vai me beijar, quando eu menos esperar, e finalmente, meu dia vai acabar. 

Amanhã vai ser um dia importante... 

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dois meses atrás o primeiro nós, dito assim, no plural, na hora mais imprópria do universo.
Calada, te pedi um tempo, um espaço, dei a cara tapa mais uma vez, me perdi habitualmente, e me achei quando na fraqueza descobri que não doía quase nada se comparado a ti.
Se já é a hora, se ainda vamos esperar, se tudo vai ser exatamente como antes ou exatamente como nunca foi, estou pronta. De armadura e escudo.

Estou me jogando na boca do leão, e incrivelmente gosto disso.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A única coisa em mim que nunca quis mudar foi esse meu jeito de não ter lugar. Isso mesmo, de não ter lugar, de não me achar, de não me aquietar... Não cabe, em mim, lugar nenhum e nenhuma explicação, nenhuma rotina, nem nada dessas coisas que tantos prezam. Ao mesmo tempo, não cabe em mim incerteza, incerteza de amanhã, incerteza de amor, incerteza de qualquer coisa que for. Querendo me matar por completo, me dê uma rotina em que todo dia eu não saiba o que farei ao acordar nem consiga pensar no que será o amanhã. Assim preciso me fazer de pequenos, às vezes nem tão pequenos, intervalos de rotinas. Intervalos de acordar, sorrir, beijar, viver, viver, viver, voltar, dormir para mais uma vez acordar. E quando esse acordar, desse jeito, com esse sol, nessa cama, já não for suficiente, que eu possa acordar daquele jeito, sorrir daquele jeito, beijar daquele jeito, viver, viver e viver daquele jeito, para então voltar e dormir daquele jeito. E que assim se siga, até que aquele já não me baste e eu procure outro jeito.
O porquê disso, não sei ao certo, mas tenho teorias que depois de tantas e tão remotas despedidas desaprendi a ter lugar antes mesmo de ter ciência que todo mundo tem lugar. 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Eu amo tua certeza, quando a tem. Parece em ti algo tão vago e irreal que desperta em mim um furacão de confusões. Mas tua certeza não vem, como a minha, da certeza real, vem da possibilidade, do que é impalpável, quase irreal. Vem, no fundo, da tua simplicidade em me ligar e dizer quarta ou quinta nos vemos. E pior, vem da certeza que me fará feliz, de imediato, como um maquina que liga-se ou não, como só você sabe fazer.
Nas piores dores e nos melhores momentos é no teu colo que procuro abrigo. Nas horas que não me acho em mim mesma, é de ti que procuro me distanciar. Como se pode amar tanto alguém e saber de cor todos seus defeitos? 

domingo, 21 de novembro de 2010

Não é a toa que somos o que somos, não é a toa que me acho a mais parecida com você.
Inúmeros telefonemas depois, às seis da manhã, só há uma pessoa no mundo capaz de me escutar, capaz de entender que não é idiotice, capaz de entender que é preciso fugir de si mesmo às vezes, que não preciso ser forte o tempo todo.
Antigamente, e porque não até esse ano, eu achava que era como minha mãe, uma dessas fortalezas mudas, uma dessas mulheres que se faz apenas de coisas pequenas. Agora o post-it rosa colado no computador me lembra que eu tenho mais de você do que imaginava...

Eu estou fugindo, mais uma vez e sempre que necessário. 

sábado, 20 de novembro de 2010

Não há mais nada a fazer, falar, ou sequer pensar. Se nada foi suficiente, o  tarôt acaba de me dar um oito de copas. Um fim no meio do caminho. 


às vezes eu não queria ser tão assim... 


sábado, 16 de outubro de 2010


Estou em casa, mas aqui não é bem o que eu queria chamar de casa, 


um lugar para chamar de seu.


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Daonde vem tanta certeza? Daonde vem tanta falta? Daonde vem tanta calma? Daonde vem tanta descreça? Daonde vem tanta coisa que não dá para numerar?

Queria ser homem, macho, daqueles bem brutos, com amplitude emocional de uma colher de chá. Só queria.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tenho fases como a lua...

Há um ano me pareceria inconcebível confiar em alguém. Há dois anos me pareceria inconcebível estar aqui, com frio, sem saco, em meio a bêbados, sozinha. Há três anos me pareceria inconcebível estar aqui e meu coração estar em outro código telefônico.

A gente muda, a gente se agita, a gente se acalma, a gente muda.

(roda moinho roda pião)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Eu não vou estar aí com você hoje, nem você lerá isso, ainda nem sabe ler!, mas nesse dia não como não pensar em você. No seu primeiro dia das crianças, você era um lindo bebezinho de olhos grandes e sorridente, muito simpático, bem diferente desse menino magricelo e tímido de hoje. Você sorria com uma boquinha sem dentes e brincava com meu cabelo colorido como se fosse uma espécie de doce.
Você era meu consolo e minha vida.
Os anos foram passando e hoje já é seu sétimo dia das crianças. No meio desses anos todos, eu já fui chamada para montar barraca, montar pista de corrida, encher brinquedo d’água, traduzir vídeo game. Também já dei carrinhos, espadas, jogos educativos, cavalinhos de madeira! E ganhei, por todo serviço prestado, o título que mais me orgulho: o de tia. Titia Bebel para você. A tia para quem você corre quando quer ler de dinossauros ou quer saber o nome do personagem do Ben10.  A tia que você acha que te ensina a ler enquanto você a ensina a jogar Wii, mas que, no fundo, aprende com você cada dia mais um pouco. 

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cada lugar, seja cidade, seja país, seja uma vila qualquer, guarda em si um que de único, um algo que só lá é possível se encontrar. Não falo de nada que seja possível comprar ou vender, que tenha valor comercial. Falo de um ar mais quente, de um cheiro de café, de uma brisa leve do mar ou de um por do sol vermelho sangue. Algo que identifique aquele lugar como casa para quem lá mora. 


foto de brasília, por Rebeca Gaspar.

domingo, 10 de outubro de 2010

"Ontem, fui aos bares que frequentamos. Respostas frias, como se eu procurasse um guarda-chuva, um cachecol, um isqueiro com o escudo do Santa Cruz. Eu procurava meu diário, caramba!"

a pior sensação do ano, a pior perda do ano, o vazio mais vazio que bateu por aqui e que vai fazer falta como cão por muitos anos e toda vez que eu olhar os outros diarios, arrumados por ano, esse vazio vai gritar seu espaço.
2010 não havia sido um ano bom, não havia naquelas páginas amarelas muitas coisas boas, havia o choro de despedida de janeiro, a confusão do reencontro de fevereiro, o gosto bom da manhã boa de março, litros e litros de lágrimas de abril, alguns kilos de esperança de junho e a fuga de julho. havia, também, o caos de agosto e a serenidade de setembro. havia o fim de um grande amor, o começo de uma nova historia, muitas pessoas das quais nunca mais recordarei o nome, porque só ali havia essa memoria.
havia os tickets de embarques e desembarques, os postais dos lugares queridos, os ingressos dos filmes. havia um tanto tão grande de mim que tornou-se o pior dos roubos que já sofri e que sofrei nos proximos muitos anos.

maldito seja esse ladrão infeliz, maldito!


mote do texto de hoje aqui

sábado, 9 de outubro de 2010


Quando não se ousa amar sem reservas é que o amor já está muito doente.


Goethe

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

eu queria ir, mas não para onde vou.
eu queria um abraço e um outro pouso.

as coisas já não fazem sentido.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

às vezes eu queria entender essa necessidade de ser excepcionalmente boa em tudo. às vezes eu queria desistir de tudo e ser apenas um apanhador em um campo de centeio. 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Hoje eu quero colo. Não quero nenhuma palavra, nem quero ver ninguém. Hoje eu quero colo. Quero colo e silêncio, no máximo reconhecer um cheiro confortável.
Hoje eu quero só um cheiro. Talvez um beijo, talvez um cafuné, talvez só um ombro quieto, silencioso, e só.
Hoje nada de palavras, nada de concentração, nada de ninguém. Hoje eu quero chorar no meu canto e sentir falta, apenas. 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

domingo, 3 de outubro de 2010

Outubro chegou, meu sorriso não mudou.
Apesar dos pesares, passe logo mês estranho, passe logo e vamos ver esse acabar... 

sábado, 2 de outubro de 2010

"Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto."




Caio Fernando Abreu

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Certo dia ela chegou em casa e ele o esperava sentado, no sofá, portando toda a seriedade que uma criança de cinco anos conseguia adquirir. Estranhou a frieza, e rio. Ele olhou-a ainda mais sério e, como que retrucando, perguntou:
- Você amava meu pai?
E ela partiu-se, ali, diante da pergunta que achou que nunca precisaria responder.
- Sim. 

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Ela encarava as paredes, o menino encostado em seu peito, uma criança de uns oito anos anormalmente comportada. A luz amarelada do lugar, a meia-música e o ambiente acolhedor, davam ao seu olhar toda uma serie de dizeres. Nenhum, infelizmente, positivo.
Não havia lagrimas, em nenhum dos olhos, elas pareciam ter secado a muito tempo. Ela, como um todo, parecia ter murchado. Olhos, cabelos, mãos, tudo, seco. Uma mulher seca. Na criança, também, não havia nenhum sinal de vida que não fosse uma respiração pesada, densa, de um sono inquieto em pensamentos.
Os dois repousavam do mundo e o mundo a sua volta pouco lhes parecia perturbar. Estavam imersos em seus próprios problemas, em suas próprias vidas. Vidas essas que pareciam prestes a se refazer.
Ela olhava inquietamente o celular, conferia as fotos, uma a uma, e as deletava, naquela processo moderno de desapego. Chegou ao fim, não havia mais sinais dele, seja ele quem for, no celular, só nos seus olhos.
O menino se remexeu quando ela colocou o celular na mesa, acordou. Levantou a cabeça com calma, parecia entender toda a dor da mãe, mas que criança não compreende?! Não pediu para ir embora, não reclamou, não falou.
Ela tocou-lhe o rosto e os cabelos, acariciou-os, como quem diz sem palavras: desculpas. Como toda mãe que se culpa por qualquer dor de um filho. Como toda mãe que ama um filho.
Respirou pesado, acenou para o garçon, pagou a coca cola. Abraçou firme a criança, soltou-a, recolheu a bolsa e levando o menino pela mão saiu do café, ainda parecendo aquela mulher murcha, aquela mulher seca, aquela mulher que sofre; mas agora uma mulher capaz de encarar o mundo. 

quarta-feira, 29 de setembro de 2010


mulher de caixeiro viajante, ele disse quando eu contei. E só sorriu, dizendo, com isso, que entendia muito bem o que é nunca saber nada ao certo, mas a cada segundo ter uma certeza infinita.

Outubro, por favor, não chegue. Ei, você, por favor, não vá embora. Por favor... 

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Parece que morremos de medo de amar. Amar exige que nos mantenhamos na incerteza, na surpresa, no acidente, na incompletude. Precisamos olhar para o outro e não vê-lo, enxergá-lo como um fantasma. Alguém que nunca possuiremos, alguém que nos escapa permanentemente, uma pessoa que desde o princípio estamos condenados a perder, um mortal.








ainda numa espécie de bloqueio criativo, ou de resguardo literário, ou, apenas, tentando ser uma brasileira otimista. apenas. 








via. 

domingo, 26 de setembro de 2010

Me desculpe, eu não sei falar usando palavras que saem da nossa boca. Me desculpe, eu não sei dizer o que quero dizer, o que devo dizer, o que preciso dizer. Me desculpe, eu viro um balão, fico “gorda”, cheia de ar, tensa, prestes a explodir, irritadiça a um toque. Me desculpe, essa minha irritação passa por abuso e fala, quase sempre, exatamente o contrario que queria falar com palavras orais, dessas que todo mundo sabe dizer. Me desculpe, não é que eu não sinta nada, eu sinto até demais, eu só não sei falar, só sei escrever. Ou desenhar.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010


eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu....


eu nada, a madrugada já está bem aí e a lua já está aqui. 



quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A primavera chegou, chegou aqui no sertão, chegou marcada no vento forte que espanta nosso calor de todo dia. Chegou na flor da cajueiro, que floresce mesmo que a chuva não tenha sido boa, mesmo que tenha sido um ano de pesares.
A primavera chegou nessa cidade que tem sol o ano inteiro e nunca sabe o que é inverno. Chegou no verde mais limpo que já encarei e nos sorrisos matutinos, encantados, ainda, que seja possível sorrir um sorriso tão leve depois de tanta dor.
A primavera chegou nas tranças nos cabelos, nos vestidos rodados, no perfume no ar, nos gestos guardados. Nos beijos meio roubados, no florescer de qualquer coisa que não era esperada. Chegou sem se anunciar e que tenha chegado para ficar. 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Eu me perdi, e não há mais porque negar isso. Eu me perdi e espero ter me achado, mas, se eu tiver mesmo me perdido, agora, tanto faz, já não importa mais, já não importa mais... 




terça-feira, 21 de setembro de 2010

- Me dê um motivo para eu dar o próximo passo, e esquecer de toda a dificuldade que vai vir.


a coisa mais linda dessa internet é quando a gente encontra alguém que fala exatamente o que a gente queria falar, mas ficou mudo por qualquet motivo. 

o resto, você lê lindamente aqui. 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Do cheiro no ar, do sorriso bobo, da vontade de ouvir a voz, da felicidade num telefonema, de ignorar o cansaço, do transito que praticamente não existiu, das sete horas consecutivas de trabalho que passaram como uns minutos, de tudo que não pareceria nada para ninguém mas que tornou esta a melhor segunda feira do ano.

Feliz, e só. 

sábado, 18 de setembro de 2010

Eu tive raiva, muito raiva. Ao mesmo tempo que meu coração saltava de felicidade por ouvir sua voz. Raiva e felicidade, as duas coisas que você é capaz de produzir.
O quão era injusto você me ligar naquela hora, naquele segundo, quando eu havia decidido de fato deixá-lo para trás.
 Quando você desligou, chorei como uma criança, chorei baixinho, assustada, com raiva e mais uma vez doeu como nunca doeu com nenhum outro. Doeu ter ouvido tudo que ouvi nessa hora. Porque não um mês atrás? Porque não?
Seus erros, sua ausência, nossa confusão admitida na tua voz, nas tuas palavras e minha perplexidade. Minha negação. Minha vontade de dizer, sim, foi tudo isso, nunca entendi porque não nos demos tempo, porque nos evitamos, porque...
Mas eu calei, e disse apenas que eu queria começar a criar parâmetros. E chorei.
Acordei hoje como se tudo não tivesse passado de um sonho. Conferi o numero no celular mil vezes e depois concluí que tudo fora um pesadelo.

Não, eu não vou voltar, ainda não é tempo, ainda não é tempo. 

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Confesso ter medo de toda essa calmaria. Ter medo que sejam, apenas e de novo, ilusões. Que sejam apenas imagens que eu quero ver.
Confesso ter medo de, depois, não conseguir me segurar, não conseguir por tudo em ordem outra vez. Confesso ter medo, um medo incompreensível.


Hoje nada fará sentido, amanhã, quem sabe?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Deixar estar, deixar ficar, deixar correr, se permitir, se permitir, apenas.
Deixar amar, deixar se apaixonar, deixar passar, apenas deixar.
Como uma folha leve, ao vento, sorrir ao dormir e ao acordar, sorrir, apenas. 

segunda-feira, 13 de setembro de 2010


hoje eu podia falar da vontade de ficar na cama mais tempo, da ansiedade traduzida em eficiência, da comida em excesso, do hashi simétrico outra vez, da corrida exausta... e de tantas outras coisas. mas, na verdade, eu quero apenas ficar calada, sorrindo. 


sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu quase te disse, hoje, que estava com medo. Escrevi a mensagem mais apaguei. Você não entenderia, acho.

Medo do que meu Deus?

Apenas Medo. Seria a resposta. Assim, grafado com maiúscula. Apenas Medo.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eu tenho um coelho de pelúcia há quase 20 anos. É uma primeira versão do Sansão da Mônica que hoje vendem por aí. Não lembro ao certo quando o ganhei, parece um daqueles brinquedos que já nascem com a gente. Também não sei de onde tiramos seu nome, Orelhudo, mas nosso talento para nomenclatura persiste até hoje.

Eu o joguei fora, uma vez, tinha uns quatorze anos, quase quinze, mas minha mãe o recolheu do lixo e me disse que um dia eu iria querê-lo de volta e eu o quis, algumas semanas depois.

Nele foram depositadas as minhas poucas lágrimas de medo, as 4 anos, e ele estava no meu lado quando saímos para o meu primeiro passeio para cortar o cabelo depois da cirurgia. Anos depois, era ele que eu abraçava, a noite, quando sentia sua falta e não conseguia entender o que acontecia. Ele agüentou, mudo, toda a raiva infundada, o ódio, os piores anos. Ficou velho, desgastado, mas esteve lá, como uma lembrança de que havia algo de errado em todo aquele rancor, uma lembrança do passado feliz.

Os anos foram bons comigo, eu perdoei até o que eu não sabia que havia acontecido. Entendi que havia brigas que não eram minhas. E esse coelho esteve lá no dia em que eu chorei e te abracei e quando, pela primeira vez em uns 10 anos, eu pude contar com você.

Hoje você está ao alcance de um telefonema, a uns 20 min de carro, a um choro de socorro. Mas até quando você estará aqui? Até quando esse coelho pode descansar de todas as suas obrigações? 


posso ser egoísta mais uma vez e te pedir para não me deixar? 

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Eu te admiro, admiro quando fala do seu trabalho, quando fala dos seus planos, quando fala das suas viagens. Admiro seus olhos e seus ideais, sua vontade de lutar por eles, seu desprendimento de um tanto de coisas banais.
Você me rouba sorrisos quando defende seu ponto de vista, me ganha mais um pouco cada vez que não cala diante qualquer argumento, me fascina com toda essa ironia.

E é aí que mora o perigo... reza a lenda que a gente se apaixona por quem admira. 

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Como que num desenho animado japonês, vejo um enxame de borboletas, muitas, de tamanhos mil, todas em um tom único de verde. Um verde estranho, brilhante, quase cinza, verdes quase cinza. Elas voam a minha volta, em desordem, não param, me assustam na mesma medida que me fascinam. Eu as quero, mas não as quero. Elas me confundem, trazem consigo um som único, eu não consigo fugir mas meu coração não parece ser capaz de ficar.
Num piscar de olhos, então, elas vão se transformando, assim, no ar, sem parar de se mover, vão tornando-se mais claras e numa fração tal de tempo, estão todas límpidas, verdes, puríssimas, não há mais nenhuma sombra de cinza. O som se acalma, seu vôo caótico se transforma num ritmado passeio a minha volta. Como que me chamando, elas começam a sair do circulo e eu as sigo. Medo? Há, algum, mas diferente...

domingo, 5 de setembro de 2010



"Odeio as casas modernas e os casais modernos e o sexo moderno e ser moderna. Eu quero parar com essa vidinha e ter um amor pra vida. Mas e mas e mas e mas."



imagem daqui e texto lindissimo da Tati Berardi




sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ela estava cansada de fazer as coisas sozinhas, mas era domingo, as paredes se fechavam a sua volta, precisava de ar.

Estava cansada de fazer as coisas sozinhas mas até sua música não compartilhava com ninguém, ouvia, nos fones, sua cantora predileta cantando sua musica predileta, só para ela. Um conjunto de egoísmos somados.
Estacionou o carro o mais próximo que podia da lagoa, saiu, sentou-se no capô, olhando a água. Tirou da bolsa sua garrafa d’água e alguns de seus biscoitos preferidos. Tudo era conjugado no singular e no possessivo.

Esperou o sol descer bem muito, até se refletir quase completamente na água, rezou baixinho por trás da lente da câmera lembrando de uns olhos que tinham aquele mesmo tom de verde. Bateu a foto que mais achou demonstrar o quanto o queria, planejou enviá-la, realizou o sorriso dele seguido pelo telefonema internacionalmente apaixonado. Guardou a câmera e se pensou piegas demais. Era sempre assim, tudo era piegas, tudo era demais.

Saiu de cima do carro antes que escurecesse de vez. Remexeu na bolsa, pegou o celular e ali uma chamada não atendida de um moço que há pouco tempo usará inesperadamente uma serie de “nós”. Não retornou. Todo dia ela esperava alguém, mas todo dia colocava na porta mais um cadeado.

Dirigindo de volta para a casa tão vazia pensou que em breve aquele rapaz acharia alguém que gostaria de ouvir aquele monte de “nós” e que seria feliz para sempre enquanto fosse possível durar o para sempre. Quis telefonar, mas não conseguiu.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Estranhas coincidências, estranho cheiro no ar, estranha falta que você faz...







Ainda acredito em destino, que o que há para ser será, não importa que demore dez anos, ou quem sabe mais.


imagem daqui.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010


Por favor, retire-se dos meus sonhos, das minhas madrugas, das minha ilusões. Retire-se, apenas. 


imagem sugestiva daqui

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Agosto se esvai e desse mês de desgosto eu levarei boas e más recordações.

Levarei o som do avião pousando de volta na vida real, levarei a leveza da tarde de sábado em trio, a persistência da primeira semana executada sem falhas, o coração saltando com a chegada das primeiras mensagens, o enxame de borboletas ao saber que o furacão estava de volta.

Levarei, também, o sorriso enquanto cortava queijo para mim, a dor de saber que era apenas mais uma noite em um furacão, a calma de um beijo leve, o sorriso no olhar que me fez esquecer a dor.

Levarei as horas de espera, a ansiedade, o sorriso de felicidade a cada janela laranja piscante, os novos adjetivos e os novos sonhos totalmente verdes.

Também vou levar o ensinamento de que não é possível encarar um furacão, mesmo que estejamos dentro da armadura mais dura de todo mundo. Que de furacões, apenas nos é permitido correr, com toda força, sem olhar para trás. E que certos amores podem levar anos para serem declarados, mas isso não impede que eles existam.

E agora que setembro já pede passagem, que esse seja um mês de encontros, de sorrisos, de abraços, de amores. Um mês de reencontros. Dois já tem até data e hora. ;)


No fim, entre mortos e feridos, saímos todos vivos.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

domingo, 29 de agosto de 2010

Os piores dias, no começo, foram os domingos. E ainda hoje são. Não há mais necessidade de acordar antes do almoço e tomar banho para esperá-lo. Também não há necessidade de fazer malabarismos para impedi-lo de olhar o futebol de todosantodomingo. Também não há mais a angustia de que quando o Fantástico acabar será hora de vê-lo partir.
Hoje, esses efeitos são amenizados pelos banhos de sol, pelos cafés de todo domingo, pelas horas a mais de sono. Mas em dias como hoje, quando está difícil até para eu conviver com a minha pessoa, sinto falta de alguém que cozinhe um hambúrguer vegetariano e que me ponha na cama.


Na verdade, eu não sinto falta de Alguém, eu gosto mesmo é de ser mimada! ;)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Hoje eu acordei com saudade de Salvador. Saudade do mar calmo e da água fria de lá. Acordei sentindo um cheiro no quarto e já não sabia que cheiro era. Quero dizer, sabia qual era, mas não fazia mais sentido lembrar-me dele. Ele me parecia confuso.


Acordei me perguntando se você já conhece Salvador, se já descobriu a calma que mora naquele mar. Acordei com vontade de te mostrar uma série de músicas que parecem ter sido feitas sob medida para esse momento. Acordei querendo que não fosse esse cheiro que estivesse aqui...

É mais difícil parar que continuar.



Foto: arquivo pessoal.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

No fim de doismilesete eu escrevi um texto que agora teimo em não encontrar. Era um dos meus textos de fim de ano, daqueles balanços do que passou e cheio de planos para 2008. Nesse texto eu expus meus primeiros planos de mulher. Não de menina, daquela vez era a primeira vez que parecia fazer sentido usar o substantivo mulher para definir minha pessoa.
Nesse texto eu falava que 2008 seria apenas uma fase, nada de grandes descobertas, nada de grandes inovações, apenas um caminho para chegar em um lugar que eu achava ser meu lugar. Havia em mim a calma de quem edifica algo em cima de um terreno firme.
2008 chegou, descobri que o terreno não era tão firme assim e desde então estou as voltas comigo mesma. Estou fugindo desesperadoramente de alguma coisa que sou incapaz de denominar. Fugindo dos meus planos, dos meus problemas, dos meus sonhos, da minha estabilidade...
A fase que previ para 2008 não chegou, mas agora se faz necessária. Já não é mais tempo de fugir dos meus problemas, e sim encará-los com a seriedade que uma mulher deve ter. Mas, assim como uma menina-moça ainda deseja uma boneca, eu ainda desejo a irresponsabilidade dos meus atos.


Tente lembrar quais eram os planos
Se nada mudou com o passar dos anos

ah, me apaixonei pro Thiago Pethi. Tava atras de uma trilha sonora para esse agosto em tons pasteis e achei.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dona Sora achou aqui e hoje, entre caminhadas, horas de reclamações, encontros marcantes e telefonemas saltitantes, ela me desafiou a escrever nove coisas que ela não soubesse de mim. Levando em conta meu talento para me expor e nossos milênios de amizade, lá vou tentar.

1 – Morro de preguiça de lavar o cabelo. Gente, meu cabelo tá gigante, principalmente se comprado a cortes quase “joãozinho” que já tive. Nada mais justo que ter preguiça de lavá-lo dia-sim, dia-não. Principalmente quando é dia-sim dia-também! ^^
2- Às vezes eu fico pensando e se eu morresse agora? Eu sei que é macabro, mas é mais freqüente do que eu queria pensar. ¬¬ Acontece principalmente em aviões e barcos, apesar de que não tenho medo de nenhum dos dois. Mas SEMPRE eu fico imaginando se acontecesse um acidente, como eu sairia do lugar.
3- Odeio ficar vestida e calçada em casa. Nunca conseguiria morar em apartamento que vizinho pudesse me ver, iam viver me vendo pelada. Sério. Dá agonia! Chego em casa, banho e fico de toalha se deixar até ter de sair de casa de novo. Por isso uso roupão!
4- Da minha infância, tenho a impressão de lembrar da minha primeira palavra. Juro! Falei sapato enquanto uma tia minha tentava enfiar meu sapato no pé. Dizem que falei “papato”. Não sei se criei uma imagem na minha cabeça da cena ou se lembro. A neurolinguistica deve explicar.
5- De madrugada , tenho mania de conferir se minha vó ta respirando. Ela faz barulho pacas dormindo e para do nada. E como eu não durmo, quando ela para eu levanto e vou checar se ta tudo bem. Pura paranóia. Minha vó tem mil vezes mais saúde que eu.
6- Tô criando o habito de passar o domingo de biquíni. Acordo, juro que vou pra piscina, ponho o biquíni e até passo uma meio horinha lá, depois desisto e fico o resto do dia me prometendo que vou tomar sol. Como procrastinar até o banho de sol semanal...
7- Tenho guardada ao menos uma rosa de todos os buques que ganhei na minha vida toda. Desde o de 15 anos, passando pelos três anos de relacionamentomuitosério até pelas flores solitárias que ganhei depois. TODOS!
8- Me deram comida na boca até os 9/10 anos de idade. E se eu der sopa, saem correndo atrás de mim com a comida até hoje. Minha mãe tem dessas loucuras, galeris, mas eu era magrela e doente, o que não mudou muito nos últimos 12 anos...
9- Eu adoro comer açúcar puro. Isso, açúcar puro. Pegar o potinho, uma colher, um litro d’água e sentar na frente da TV. Sim, eu sei, minha glicose é alta.

Ta aí, depois de mais de uma hora, nove coisas que acho que quase ninguém sabe de mim. 

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir, dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons, deixam a vontade impossível de morar neles, se maus, fica a suspeita de sinistros angúrios, premonições.

Que os sonhos bons de agosto se tornem realidade. Que esse mês de agouro tenha me trazido algo para festejar. Que esses últimos dias passem rápido. 


o mote é do Caio Fernando Abreu, celebrando, ainda, agosto. 

domingo, 22 de agosto de 2010


uma fechadura tem vários buracos. uma pessoa tem todas as chaves para abrir esta grande fechadura. mas ela não consegue enfiar todas as chaves nos buracos correspondentes de uma só vez. ela tenta então colocar uma de cada vez. mas quando ela acerta uma, a outra se trava, porque a fechadura só aceita que todas as chaves sejam colocadas simultaneamente. a pessoa estuda, durante muito tempo, as coincidências entre os dentes das chaves e os orifícios de cada entrada. mas não consegue segurar tantas chaves nas posições corretas de uma só vez. cria então um mecanismo de suspensão das chaves nas posições certas, insere-as e coloca-as todas em suas entradas correspondentes ao mesmo tempo. a porta se abre, mas já se passou muito tempo para que a função cabível fosse cumprida.


Meu gosto por metáforas se anima ao ler qualquer dos textos dela. Textos de acentos, de viagens, de gente, e mais gente. Adoro quem fala por metáforas. =)

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Hoje eu pedi sushi pelo telefone. Eu nunca peço comida pelo telefone, sempre prefiro dirigir até a padaria e comer mais que o necessário. Mas hoje eu pedi. Seis. De tomate seco. Com salmão? NAAAAAO! Só tomate seco. Eles chegaram um tempo antes dele aparecer online. Eu quebrei o hashi e eles saíram inteiros, simetricamente partidos.
Uma vez, alguém me disse que aquilo falava sobre nossa vida amorosa. Que quando saia muito torto era porque nossa vida não tinha mais jeito. Mas quando saía retinho...

Eu sorri, pensando que talvez a maré esteja mudando. E a janela piscou, laranja, alguns minutos depois, para me roubar mais sorrisos. 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Eu me acostumarei facilmente a você, aos seus mimos, aos seus adjetivos, a sua dedicação.

Na verdade, acho que já me acostumei. Já sinto falta da sua voz, das suas piadas, do seu cheiro.

Eu teria uma vida feliz ao seu lado, talvez sem lugar marcado, talvez com o espírito livre. Eu sorriria todo dia, sei que me faria rir das coisas mais idiotas, mas também serei que seria grave, quando fosse necessário. Mas boa parte do tempo, eu seria a séria, você o palhaço. Mas, quem disse que eu não gosto de palhaços?


Não quero que você ocupe um lugar que não é seu, não te quero no lugar de ninguém, nem quero que meu lugar em você tenha outros sabores, sabores antigos. Quero que sejamos novos, um para o outro, novos como é possível ser quando se tem alguma historia marcante.

Não quero comparações, não quero que você conheça-o, nem quero conhecê-la. Não quero que lembre dela quando um dia brigarmos. Sim, eu já suponho que seremos algo ao ponto de um dia brigarmos. Nem quero lembrar dele nas suas ausências.


Acho, no fundo, que esse é meu único pedido. Se faça uno na minha vida, porque algo me diz que você já se faz algo. 


Foto: Adelaide Ivanova, via

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Você se tornou uma daquelas mulheres modernas, ele disse ontem, enquanto almoçávamos.

De cara eu contestei, mas como ele estava me escutando tanto, apenas sorri.

Mas hoje, ao chegar em casa depois de correr 1km todinho sem parar e descer do carro carregando o notebook, uma bolsa com as roupas de academia, uma revista de moda, uma bolsa gigantesca e uma barra de chocolate, me dei conta de que sou mesmo uma daquelas mulheres modernas, daquelas que vem com o programa de multi-função embutido de fábrica.

Eu acordo cedo, mais cedo do que desejaria, vou para aula, tenho reuniões durante o almoço, resolvo coisas no celular quase o tempo todo, vou para o estágio, corro todo dia, tenho mais aulas, arrisco falar uns três idiomas, entendo bem que o primer vem antes de tudo e o corretivo só depois da base, não resisto a nenhuma liquidação de sapato, acabo o orçamento antes do fim do mês, enfrento o mecânico sozinha, nunca estou satisfeita com meu peso, com minha bunda ou com meu cabelo, faço as unhas uma vez por semana, encano diariamente com minha sobrancelha, como para enfrentar a solidão, choro quando vejo um gatinho de rua e estou na TPM...

Enfim, uma daquelas mulheres malucas neuróticas. Um pouco mais que neuróticas, na verdade... 

domingo, 15 de agosto de 2010


Eu trocaria a eternidade por esta noite
Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por

Tão bom quando a gente encontra quem fale pela gente, que apenas se encaixe no nosso silêncio perturbador. 

sábado, 14 de agosto de 2010


de ficar sozinho, de sabado a noite em casa, de aprender a amar você mesmo. 


essa internet tem mesmo umas coisas bonitas, né?

Via. 

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Durante 22 anos eu esperei essa declaração. Esperei ouvi-la durante os meus 15 anos, ou quando fui receber uma medalha por prêmios da escola, ou quando passei no vestibular ou em qualquer um desses 22 anos. Mas hoje, inesperadamente como uma tempestade de verão, você me disse, assim...
Sempre quis que você me entendesse melhor, que compreendesse o quanto acho que pareço com você, que me escutasse como acho que só você me escutaria. Sempre senti sua falta. Mas eu simplesmente calo, e te olho, com um misto de medo e amor. Amor que nunca vou compreender como ainda sinto e medo de que no meu próximo deslize você fuja de novo.
Durante anos eu apenas me culpei. Em outros a culpa era toda sua. Agora não há mais quem culpar ou defender, existem apenas nós dois, nossos erros e nossas fugas, nossa mania de colocar tudo embaixo do tapete e fingir que não há problemas.


Será que dessa vez a gente para? 

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

“Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um.”


Que seja assim então... Que agosto se vá, que eu sinta falta de outros mares verdes e não desses, que eu me acostume a lembrança apenas como lembrança, que tudo seja leve, que agosto não traga nenhum agouro. 


a imagem é daqui, e o mote é do Caio Fernando. E olhe que eu sofro daquela fobia de retwitter dele, mas para falar de agosto, não ninguém melhor. 

domingo, 8 de agosto de 2010

Ela não queria ficar, mas queria-o como talvez nunca mais quisesse ninguém.
Ela sabia que havia um mundo a ser descoberto, mas sabia que se ele ousasse lhe pedir ela renegaria qualquer vida.
Ela sonhava com as água dos pacifico, com as igrejas da Europa, com as belezas da índia. Mas queria ter filhos deles, filhos que lembrassem ele.
Ela não podia deixar de querê-lo, mas também não podia deixar de amar o mundo.

Fechou a porta bem devagar, sem fazer barulho e sem antes olhá-lo com amor e saudade.


“um dia vai ser nosso tempo, e quando ele chegar começo a ter dúvidas se vai passar.”


imagem daqui.

sábado, 7 de agosto de 2010

Me desfaço no teu olhar.


No francês, quando se quer dizer que alguém se apaixonou dizemos: il est tombé amoureux.
Tombé?! Isso aí, no português fica bem próximo de tombar, cair.
E estar apaixonado é extamente isso não? Estar aos pés de alguém, estar “tombado” por alguém. Não conseguimos ser racionais, nãp conseguimos pensar com clareza alguma, ficamos apenas ali, perante o outro, a mercê do outro...
Por mais racionais que sejamos, meticulosos, calculistas até, nos desfazemos de toda essa racionalidade e somos, de repente, simples adolescentes que não conseguem ter confiança alguma, precisamos do olhar do outro para nos dizer o que nós mesmos já dizíamos antes.


Eu sabia que seria assim, o suor frio quando te vi, as borboletas, o nervosismo, a adolescência de volta. É assim estar apaixonado não?



sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Confesso que tremo a simples menção do seu nome. Confesso que me falta ar imaginar te ver. Confesso que preferia manter-me longe. Confesso que te evito. Confesso que ainda consigo senti seu cheiro. Confesso que sinto sua falta. Confesso que me sinto uma criança ao te evitar. Confesso que não sei como vou te esquecer. 

quinta-feira, 5 de agosto de 2010


para terminar a quinta feira feliz, essa menininha com a cara mais linda do mundo! Ah como eu queria que a Ivina fosse assim... 

via.

[edit: mamãe acaba de dizer que eu era bochechuda assim, ou seja, posso ter uma filha assim! haha!]

quarta-feira, 4 de agosto de 2010


tem dois anos que eu digo que vou parar, tem dois anos que eu não consigo parar. 
será dessa vez?


imagem daqui

terça-feira, 3 de agosto de 2010


Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.




 
Ela se afastou espelho, olhou-se, um último retoque nos olhos. Nada ia atingi-la, ia passar imune por agosto. Agosto, o mês do desgosto.

 
Imagem daqui.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010


A cada moleskine, a cada diário terminado, uma época da vida se fecha.
Os diários, mais longos, pedem despedidas mais formais, textos de conclusão do ano, balanços de perdas e ganhos. Os moleskines, tão pequenos e passageiros, ganham, no máximo, lista de coisas a esquecer, de contas a pagar, de promessas a cumprir.
Mesmo assim, mesmo que dure 1 ano ou apenas 3 meses, a cada fim, a sensação de novo é reconfortante. Nas novas páginas uma nova vida poderá ser escrita, sem tantos erros, sem tantos choros. Existe, sempre, novas possibilidades, novos ares...

domingo, 1 de agosto de 2010


e no semestre novo?

lindissimo postal daqui. ganhei alguns postais dela e me apaixonei! *-* thanks sora! 

sábado, 31 de julho de 2010

A coisa que me fez perceber que talvez essa não seja mais minha casa foi o momento da volta.
Estou de volta, mas não senti saudades. Não senti saudades da cama, das paredes roxas, dos livros, do computador de mesa, da geladeira, do fogão, das roseiras, do cheiro de casa. Nem do meu banheiro pareço não sentir mais falta.
Não sei, hoje, se sou eu ou se é apenas uma fase, mas pareço me sentir mais em casa num quarto de hotel, num flat ou numa barraca qualquer do que na casa para onde minhas correspondências chegam. 


um lugar pra chamar de seu. 


imagem daqui