sábado, 31 de julho de 2010

A coisa que me fez perceber que talvez essa não seja mais minha casa foi o momento da volta.
Estou de volta, mas não senti saudades. Não senti saudades da cama, das paredes roxas, dos livros, do computador de mesa, da geladeira, do fogão, das roseiras, do cheiro de casa. Nem do meu banheiro pareço não sentir mais falta.
Não sei, hoje, se sou eu ou se é apenas uma fase, mas pareço me sentir mais em casa num quarto de hotel, num flat ou numa barraca qualquer do que na casa para onde minhas correspondências chegam. 


um lugar pra chamar de seu. 


imagem daqui

quinta-feira, 29 de julho de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

agora eu não quero mais ir embora.
as ruas estreitas e sinuosas daqui, o centro cheio de ladeiras, o mar por todo lado, água e mais água.
eu não quero voltar, nem quero que ninguém volte, não quero.
aqui estou longe de tudo, ao mesmo ponto que estou próxima do que não há como esconder. estou perto e longe, o suficiente para viver em paz.



Quando acreditava que dentro 
Do não tinha um sim... 


ah, e eu vi O Bem Amado hoje, vale a pena, muito. 

segunda-feira, 26 de julho de 2010

as pessoas não tem graça.
essa é a pior parte dos fins, quando não há pessoa no mundo que seja melhor do que a pessoa que queremos.
não existem olhos mais lindos, cheiro mais perfeito, abraço mais apertado.
apatia é a palavra dessa fase do fim.

apatia.

sábado, 24 de julho de 2010

 "O beijo que você relembra a cada fechar de olhos é um maxilar feito em pedaços."


Finalmente chegou a hora de parar e ver se isso finalmente vai fechar.



o mote de hoje, e quem fala por mim, na verdade, é daqui. mais um lindissimo texto da serie fratura exposta.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

deixar o tempo passar, esquecer que existe relógio, desapegar do computador, dos celulares, do tal da internet.
passear na praia de vestido rodado, comer um sanduiche vegetariano olhando o mar, tomar sorvete.
sorrir e sorrir e sorrir.
ter apenas papel e caneta, começar um moleskine novinho, não lembrar nem o dia da semana, nem o dia do mês, nem que tem prova daqui a ....
estar aqui e não estar, sentir falta e não sentir.
desenho animado a manhã toda, louça lavada sozinha, cama feita no horário marcado, eita vida boa, eita vida boa.

imagem daqui

quarta-feira, 21 de julho de 2010

“ei, daqui de cima eu vejo as nuvens...”
segurei o choro e fui mais forte do que achei que seria. Vi Fortaleza desaparecendo, miudinha, e com ela fui me prometendo, mais uma vez, deixar tudo para trás.
Esses dias tem sido difíceis, da esperança absurda de que simplesmente ainda não fosse nosso tempo a constatação de que esse tempo talvez nunca exista não se passou nem um mês direito. e foi um mês dolorido, necessário, porém dolorido. Se me restasse escolha, ficaria nos teus braços, nos teus mares, verdes e cinzas, mas agora a escolha é dramática: eu ou você.
Mas é assim, daqui a dez dias, quando de novo Fortaleza estiver sob os meus pés, eu já não serei essa aqui, que parte como que fugitiva de qualquer coisa que é tão mais além do que um simples lugar.

Eu só queria entender porque sinto tanto sua falta...


Ps.: De alguma forma mística, a fonte do meu notebook queimou hoje de manhã, enquanto eu arrumava as malas, então não sei se vou conseguir atualizar direito. Mas tentarei, creio que o flat ainda tem computadores disponíveis. o/



terça-feira, 20 de julho de 2010

Às vezes eu duvido, às vezes eu tenho medo, às vezes eu acho que não é bem o lugar para mim. Às vezes eu tenho raiva, às vezes eu choro e ninguém entende. Às vezes eu desapreço, não atendo o telefone, finjo que não vi nenhum e-mail. Às vezes eu tenho muita raiva.

Mas eu já me acostumei as horas dividas, ao nosso jeito tão nosso, aos almoços corridos, ao sono em qualquer lugar, as cervejas totalmente inesperadas, aos dias em que todos piramos, aos dias em que todos surtamos.
E nada que uma conversa embaixo da mangueira, umas nuvens com formato esquisito e umas muitas risadas não ajudem qualquer coisa a passar! 


aos meus amigos que tem aprendido a deixar a amizade num potinho! 



domingo, 18 de julho de 2010


A casa está arrumada, tirei a poeira de todos os móveis. Essa semana, não faltei a aulas, não ignorei chamadas no telefone, não negligenciei o diário.  Cumpri todas as minhas atividades programadas, caminhei de segunda à quinta, tentei acordar mais feliz. Não bebi uma cerveja se quer, não acendi nenhum cigarro, não falei com ninguém que prometi esquecer.
A vida vai entrando em eixos que eu havia esquecido que existiam, como um viciado vou me adaptando a não ouvir mais o murmúrio da noite. Ainda assim, eu não consigo dormir antes das duas. O silêncio me incomoda profundamente.


Já paguei as contas, já marquei os médicos que vou quando voltar, já cumpri minha obrigações de tia por, pelo menos, duas semanas. Já comprei moleskines novinhos, de uma cor nova para atrair boas vibrações, já coloquei meu nome, endereço e telefone neles. Já comprei livros para ler no avião, na varanda, sentada olhando para a lagoa, nas horas de solidão. Já avisei a todos o horário que vou e o horário que, a contra gosto, devo voltar, e já tirei as cartas para o semestre que vai chegar.
Estranhamente, as cartas me acalmaram. Me disseram, sorratareiramente, que esse vai ser um tempo bom, de calma e amadurecimento. Porque amadurecer é assim, se cortar inteiro e depois parar para esperar as feridas fecharem. Me disseram, também, que talvez não seja loucura esperar por um reencontro e que estou mais do que certa em dar um tempo disso. Infelizmente elas não me disseram a única coisa que quero realmente saber, como sair disso tudo aqui. 

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imagem de uma das series de fotos mais linda que já vi, de Jasper James, via.

sábado, 17 de julho de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Que o mar te leve para longe de mim. Que as água limpem teu cheiro. Que o sol me ofusque para esquecer o brilho do teu olhar. Que minha boca não guarde nem teu gosto nem o gosto das lágrimas. Que tudo, finalmente, passe. 


imagem daqui. 



quinta-feira, 15 de julho de 2010

2010 até agora não me fez bem.  Eu, apenas, me perdi.

Entre as maiores decisões da vida, eu coloco em primeiro lugar a que se faz entre escolher viver a vida dia a dia ou pensar em um futuro, trabalhar por um objetivo a longo prazo.
Sou capricorniana, ordenada, metódica, responsável.  Esse semestre eu me perdi! Dá pior forma possível, e não tinha conseguido, até agora, reordenar tudo isso.

Até agora, eu espero. Em breve, boas noticias... 


Paris, daqui. 


quarta-feira, 14 de julho de 2010

“a gente muda de Estado, mas não muda.”

A mensagem chegou enquanto eu caminhava,  uma nova resolução desde que você viajou. Nesses dias sozinha por aqui,  meu corpo pifou de vez. Já senti desde dor no joelho até dor de ouvido.

Eu digo que estou sozinha, mas não é bem assim, no sentido literal da coisa. Tenho umas duas ou três pessoas para as quais eu possa ligar, talvez falar uns dez minutos, mas não tenho ninguém que va dizer aquelas coisas que preciso ouvir, nem mesmo me dar bronca quando eu estiver morrendo de comer glúten.

De qualquer forma, esses dias aqui, aproveitando a cidade e guardando impressões pra eu mesma, me fizeram mais bem do que se eu tivesse saído. Precisava desse tempo olhando pro mar e pensando no que realmente quero. Não foram como as horas que me dei durante o semestre, não foram horas contadas, com prazo para acabar. Foram tardes, e noites, km’s de caminhada, pensando e pensando.

Meu corpo estava aqui, mas minha cabeça não. Ou o contrário.

Essa conclusão que você chegou,estando aí, tão longe, eu cheguei aqui, estando, talvez, mais longe ainda. Não quero ficar, mas também sei que vai ser quase igual em qualquer lugar que eu vá. Mesmo assim, em uma semana estarei indo para casa, para casa!

“tem gente que nasce para ser sozinho”

segunda-feira, 12 de julho de 2010


sempre me pergunto o que você vai guardar desses dias nossos. será que vai lembrar de mim com carinho quando crescer? será que vai entender a importância que você tem quando o mundo parece desabar a minha volta? 
o seu abraço, o seu olhar, o seu sorriso, as nossas conversinhas sobre desenho animado, seus medos exagerados... meu universo se constrói no caminhar dos seus pezinhos. como se nada além de você importasse.  

e será que algo mais importa? 


Lindas fotos de crianças aqui

domingo, 11 de julho de 2010


tudo é uma questão de manter a mente quieta, a coluna ereta e coração tranquilo. 

imagem daqui, vale o clic! 

sábado, 10 de julho de 2010

Esses dias li por ai uma ótima definição da adolescência, a autora falava que nessa época era como um bicho enjaulado, que se se debatia toda mais não sabia para onde fugir. Aquela idéia somada ao clima de férias dos últimos dias me fez refletir...  Me chamem de velha ou do que quiserem, mas o tempo está terminando.
Tive uma adolescência ótima, como toda adolescente que se preze, fui revoltada, fui punk, ouvi metal, achei que o mundo ia acabar quando meu primeiro amor não deu certo, bebi horrores. Não me envergonho de nada feito naquela época, nem repetiria os fatos hoje. Tenho plena consciência de que o tempo já passou.
Talvez para quem começa a “viver” agora, dizer no auge dos meus 22 anos que já me preparo para me despedir dessa vida de festas seja absurdo, mas é verdade. Já são, por alto, sete anos entre amigos, amores, festas e copos. Me parece absurdo que essa vida vá durar outros sete...
Não, não serei uma daquelas velhas carolas aos 30 anos, meu instinto não me permite. Mas, assim como os valores mudaram dos 14 até agora, eles mudaram de agora até os famigerados 30.
Com 14 eu era, tal como a menina do começo desse texto disse, um bicho enjaulado. Tudo era motivo para provar algo para alguém que nem sabia quem era. Não sei como esse espírito se acalmou, a fase a da inconseqüência extrema passou e deu lugar aquela época maravilhosa de começo de faculdade. Nessa época, o dinheiro que ganhamos ainda não é o nosso, mas o carro e a carteira de motorista, mesmo tendo sido presentes, são absolutamente nossos. Nossos horários não são mais do conhecimento de ninguém e estar no mundo de quarta a domingo é perfeitamente aceitável. Quem não faz isso nessa época de faculdade é até visto com maus olhos!
Depois vem essa fase escrota dos 20 e alguns anos. Creio que somos mais velhos aos 20 do que aos 30. Nessa época não dá mais para beber as custas dos pais, muito menos existe paciência para agüentar aquele sermão do domingo de manhã. Ao mesmo tempo, estamos tão instáveis que é como se perdêssemos a capacidade de construir algo. Relacionamentos, vida profissional, convívio familiar... de repente seria mais fácil ter 16 anos e ser apenas a prima revoltada da família!
Então, e aí eu entro no mundo das suposições, de repente esse bicho vai se acalmar, as coisas vão se por no lugar e, quando menos esperarmos, vamos ficar em casa, na sexta à noite, comendo pizza e fazendo cafuné em alguém.
E esse tempo está chegando, por enquanto ainda curto meu caos dos 20 e poucos anos, mas já vou avisando que no fim do ano quero um creme anti-rugas! 

terça-feira, 6 de julho de 2010

 Entrar ali, hoje, acompanhada dele, mas não na posição que costumava entrar. Perceber, pela primeira vez em mais de um ano, a câmera do elevador. Esconder a familiaridade com aquele lugar, com a entrada de serviço, com os móveis da sala... Tudo parecia um confuso furacão de cores , sons e gostos de um passado que para mim ainda não está morto. Sorrir, como se fosse natural, e guardar para mim todas as impressões.
Buscá-lo com o olhar e percebê-lo longe dela. Ficar feliz. Bobamente feliz. Recordar quantas vezes estive ali, uma, duas, três, quatro, cinco... Perder a conta. Ouvir sua voz nas minhas costas, ter medo de vê-lo ao lado dela.
A primeira vez que fui ali, ainda havia um móvel no corredor que muito me impressionou, hoje não há mais... Também não me recordo desse outro sofá, nem da sua mãe tão nova assim. Fico tentando achar sinais seus nela. Da onde vem seus olhos para mim tão verdes?
De novo sua voz, dessa vez arrisco um olhar e aquela sensação de será que você estava olhando para mim? Não, ele não estaria olhando para mim, tudo já passou... e desde quando foi tudo?
O tempo se arrasta, as conversas se alongam, o jogo não anda. Ela não bebe. Ela não parece uma mulher para você, e qualquer outra mulher no meu lugar diria isso. Eu encaro minha ressaca com mais uma cerveja, ela se resigna a uma coca-cola.
E o abraço de ontem? E os olhares? E a lembrança de uma promessa tão remota? Foi tudo ilusão, claro. Claro.
Eu seria amiga dela, riria com ela, faria ela se portar melhor, se vestir melhor, teria longas tardes no shopping com ela. Mas não consigo nem odiá-la. É ela que você quer, deve haver algo que eu não consigo ver.
Finalmente, terminou. Terminaram as formalidades, terminou o tempo, é hora de partir. Dou espaço, abraço-o, lembro da promessa fazendo minha maior cara de não ligo, deixo-a atrás, espero o barulho, o beijo, entro no elevador, ela demora uns segundos a mais, longe dos meus olhos, obrigada. Se pudesse, se o orgulho permitisse, ali eu gritaria, eu choraria, eu diria tudo que não disse, eu te deixaria partir. Mas eu apenas calo, sorrio, e rezo para essa dor passar. 

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Nas as mulheres tudo se exagera. Se são tímidas, a timidez parece dominá-las por completo, impede os movimentos, reprime e aprisiona. Se são visionárias, se lançam ao mundo e parece, sempre, grandes libertárias. É como se a elas não fosse reservado o direito de ser um pouco de cada coisa, quando é, é por completo.
Ela não era diferente. Era enjoativa, por completo. Daquele tipo que nunca atingira o auge, nem nunca atingirá. Porque, e aqui vai outra verdade sobre as mulheres, quando somos muita coisa no colégio, não seremos quase nada no resto da vida.
Todo o corpo dela trabalhava para esse olhar de ser alguém superior que nunca alcançou o que quis.  Ombros empostados, meios sorrisos, nariz empinado. E não era somente com quem não gostava. A um mínimo olhar mais atento era possível vê-la olhando assim para os amigos, assim, com aquele olhar de desejo que eu seja tudo que você é e que você seja nada do que é possível ser.
Era assustadora e, como convém a toda caricatura, engraçada. Das suas derrotas que pude observar, me vangloriei de vê-la naquela posição e esperei, mesmo sem esperança, que ela pudesse tornar-se alguém melhor. Infelizmente, ou não, ela não mudou, nem eu. 

domingo, 4 de julho de 2010



Arquitetura é um negocio que se faz só e simplesmente só por amor, fato. rs

E esse vídeo é o melhor de todos sobre como a gente vive essa profissão. E lá vou eu, virar outra noite pra entregar trabalho!

sábado, 3 de julho de 2010

Aquele gosto de cabo de guarda chuva na boca. Aquela sensação do que fiz ontem a noite. Aquela leve dor de cabeça. Aquela vontade de nunca ter existido.

Ressaca. 

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Foi então que acabou a minha vida como eu conhecia. Não adiantava eu argumentar, questionar, pedir uma chance. O olhar dele era muito claro. A expressão de quem realmente não queria mais algo, não deixava dúvidas. Ali, naquele domingo de manhã, eu comecei a morrer. E era uma morte lenta e dolorosa.

A pior sensação do mundo é esse olhar, vazio, acompanhado da certeza de que não há mais nada que possa ser feito. Muito mais doloroso do que todo o processo em si, as caixas, as memórias, as pessoas ou os lugares.
Eu sou uma pessoa que não sabe dizer tchau. Não entendo despedidas, muito menos fins. Para mim, as pessoas apenas vão ali na esquina comprar pão, fumar um cigarro e acalmar os nervos. Daqui a dez minutos, ou dez anos, elas vão voltar e puft! Tudo está de novo no lugar.
Porém existem olhares que nos dizem que realmente não há mais pelo que lutar e que a esquina pode nunca chegar... 



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O mote desse post é um texto da Cáren Nakashima postado na nova serie do meu blog preferido

quinta-feira, 1 de julho de 2010