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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dona Sora achou aqui e hoje, entre caminhadas, horas de reclamações, encontros marcantes e telefonemas saltitantes, ela me desafiou a escrever nove coisas que ela não soubesse de mim. Levando em conta meu talento para me expor e nossos milênios de amizade, lá vou tentar.

1 – Morro de preguiça de lavar o cabelo. Gente, meu cabelo tá gigante, principalmente se comprado a cortes quase “joãozinho” que já tive. Nada mais justo que ter preguiça de lavá-lo dia-sim, dia-não. Principalmente quando é dia-sim dia-também! ^^
2- Às vezes eu fico pensando e se eu morresse agora? Eu sei que é macabro, mas é mais freqüente do que eu queria pensar. ¬¬ Acontece principalmente em aviões e barcos, apesar de que não tenho medo de nenhum dos dois. Mas SEMPRE eu fico imaginando se acontecesse um acidente, como eu sairia do lugar.
3- Odeio ficar vestida e calçada em casa. Nunca conseguiria morar em apartamento que vizinho pudesse me ver, iam viver me vendo pelada. Sério. Dá agonia! Chego em casa, banho e fico de toalha se deixar até ter de sair de casa de novo. Por isso uso roupão!
4- Da minha infância, tenho a impressão de lembrar da minha primeira palavra. Juro! Falei sapato enquanto uma tia minha tentava enfiar meu sapato no pé. Dizem que falei “papato”. Não sei se criei uma imagem na minha cabeça da cena ou se lembro. A neurolinguistica deve explicar.
5- De madrugada , tenho mania de conferir se minha vó ta respirando. Ela faz barulho pacas dormindo e para do nada. E como eu não durmo, quando ela para eu levanto e vou checar se ta tudo bem. Pura paranóia. Minha vó tem mil vezes mais saúde que eu.
6- Tô criando o habito de passar o domingo de biquíni. Acordo, juro que vou pra piscina, ponho o biquíni e até passo uma meio horinha lá, depois desisto e fico o resto do dia me prometendo que vou tomar sol. Como procrastinar até o banho de sol semanal...
7- Tenho guardada ao menos uma rosa de todos os buques que ganhei na minha vida toda. Desde o de 15 anos, passando pelos três anos de relacionamentomuitosério até pelas flores solitárias que ganhei depois. TODOS!
8- Me deram comida na boca até os 9/10 anos de idade. E se eu der sopa, saem correndo atrás de mim com a comida até hoje. Minha mãe tem dessas loucuras, galeris, mas eu era magrela e doente, o que não mudou muito nos últimos 12 anos...
9- Eu adoro comer açúcar puro. Isso, açúcar puro. Pegar o potinho, uma colher, um litro d’água e sentar na frente da TV. Sim, eu sei, minha glicose é alta.

Ta aí, depois de mais de uma hora, nove coisas que acho que quase ninguém sabe de mim. 

terça-feira, 20 de julho de 2010

Às vezes eu duvido, às vezes eu tenho medo, às vezes eu acho que não é bem o lugar para mim. Às vezes eu tenho raiva, às vezes eu choro e ninguém entende. Às vezes eu desapreço, não atendo o telefone, finjo que não vi nenhum e-mail. Às vezes eu tenho muita raiva.

Mas eu já me acostumei as horas dividas, ao nosso jeito tão nosso, aos almoços corridos, ao sono em qualquer lugar, as cervejas totalmente inesperadas, aos dias em que todos piramos, aos dias em que todos surtamos.
E nada que uma conversa embaixo da mangueira, umas nuvens com formato esquisito e umas muitas risadas não ajudem qualquer coisa a passar! 


aos meus amigos que tem aprendido a deixar a amizade num potinho! 



quarta-feira, 14 de julho de 2010

“a gente muda de Estado, mas não muda.”

A mensagem chegou enquanto eu caminhava,  uma nova resolução desde que você viajou. Nesses dias sozinha por aqui,  meu corpo pifou de vez. Já senti desde dor no joelho até dor de ouvido.

Eu digo que estou sozinha, mas não é bem assim, no sentido literal da coisa. Tenho umas duas ou três pessoas para as quais eu possa ligar, talvez falar uns dez minutos, mas não tenho ninguém que va dizer aquelas coisas que preciso ouvir, nem mesmo me dar bronca quando eu estiver morrendo de comer glúten.

De qualquer forma, esses dias aqui, aproveitando a cidade e guardando impressões pra eu mesma, me fizeram mais bem do que se eu tivesse saído. Precisava desse tempo olhando pro mar e pensando no que realmente quero. Não foram como as horas que me dei durante o semestre, não foram horas contadas, com prazo para acabar. Foram tardes, e noites, km’s de caminhada, pensando e pensando.

Meu corpo estava aqui, mas minha cabeça não. Ou o contrário.

Essa conclusão que você chegou,estando aí, tão longe, eu cheguei aqui, estando, talvez, mais longe ainda. Não quero ficar, mas também sei que vai ser quase igual em qualquer lugar que eu vá. Mesmo assim, em uma semana estarei indo para casa, para casa!

“tem gente que nasce para ser sozinho”

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Essa é a primeira copa do mundo que faz sentido para mim. Minto, na verdade é a segunda.
A primeira copa do mundo que me recordo é justamente a de 94. Agora, fazendo as contas, percebo que tinha seis anos. Naquele ano, tínhamos um Tv novinha, comprada em muitas prestações num consorcio, lembro também de não ter conseguido assistir a um único jogo. Me inquietava ficar na frente na Tv. Mas lembro da euforia, lembro do barrulho, lembro do festejo.
Na rua na frente de casa, pintaram uma bandeira bem grande no chão, e de todos os fios pendias bandeirinhas verdes e amarelas. Lembro também que me compraram uma blusa verde e amarela e uma sandália daquelas típicas sandálias dos anos 90. Lembro da final, de ter que ficar calada e não entender bem porque todo mundo estava tão serio, lembro do dia seguinte a vitoria do Brasil.

De 94 ate agora ainda tinha animo nenhum para nenhuma copa. A última, por exemplo, parece que deletei por completo da minha cabeça, não consigo lembrar nem onde estava na final! Mas esse ano não... Esse ano as bandeirinhas na rua parecem fazer meu coração saltar; a idéia de já já começaram os jogo, que me encontrarei com os meus amigos no meio de um dia chato para tomar uma cerveja no almoço e passar o resto do dia comemorando uma vitoria me aquece. Não, não me tornei mais patriota nos últimos 4 anos, muito menos aprendi sobre futebol, nem tenho nenhum namorado que esteja querendo encantar, apenas sou mais uma brasileira cansada desse dia a dia exaustivo e louca por uma oportunidade de fugir do mundo real.

a imagem lindíssima é daqui.  

terça-feira, 25 de maio de 2010

Existem pessoas que levam anos pra te ensinar ao menos uma lição, outras te ensinam num segundo.

Há muitos anos atrás, conheci uma garota que mudou muita coisa em mim. Éramos tão jovens, numa época em que toda chama vira um incêndio. E ela causou um desses em mim. Não sei se hoje ela seria capaz de lembrar meu nome, na verdade nem sei se ela ainda está viva hoje, mas existiu um dia em que ela me abraçou e que nós duas estávamos chorando. Naquele dia muita coisa mudou...
Agora, como que por um sinal, conheço alguém que me diz com quase todas as letras o que eu queria ouvir. Que me faz enxergar que não há erro algum em querer o que eu quero, como aquela menina há muito tempo fez. Falta-me apenas coragem, exatamente como faltou naquela época, de seguir uma estrada tão confusa assim.

Horrível quando, aos 22 anos, se alguém te perguntasse se você mudaria algo na sua vida você responderia: quase tudo. 

sábado, 1 de maio de 2010

Já faz quantos anos? Confesso que não consigo me lembrar se foi por 2000 ou por 2001, mas não importa, são apenas datas de um arquivo que se mantém vivo.
Naquela época podíamos dizer que a proximidade e a convivência era forçada. Todo dia, de 7h ao meio dia, várias tardes e várias noites também. Podiam achar que um dia ficaríamos velhas e que nunca mais nos veríamos, como acontece com tanta gente por ai.
Mas a vida não foi bem assim. Hoje já não existe a convivência diária, aqueles abraços de bom dia, aquelas coisinhas pequenas que só surgem com o dia a dia, mas há, ainda, muita intimidade, e essa intimidade vem do amor que ainda compartilhamos.
O mundo levou cada uma para um lado e o que naquela época listrada era igual hoje se diferencia no tamanho do salto, no gosto pela maquiagem e nas profissões. De longe, para quem vê sem conhecer, são três pessoas totalmente diferentes, até difícil de imaginar juntas. Mas de perto, a velha intimidade se faz presente e todos aqueles traços de personalidade que são iguais afloram não só no nosso vegetarianismo.
É mágico perceber, e realizar, que já somos adultas, que já agüentamos nossas melhores e piores fases juntas e que ainda somos capazes de rir, sem medo, mesmo depois de meses e km de distancia.  

Que seja eterno enquanto dure, mas que dure para sempre e meus filhos agradeceram saberem matemática e não serem diabéticos! 

sábado, 10 de abril de 2010

A gente nunca nota pequenos hábitos, pequenos defeitos, pequenas coisas que fazemos em grupo. Até um dia, alguém fala algo e de repente a gente se da conta.
Assim foi sexta, a noite, no shopping, depois de ter recebido a tão suada bolsa da universidade, estávamos eu e o meu amigo Rafael sentados na praça de alimentação quando ele diz: preciso comprar algo. Eu ri! Tava pensando exatamente a mesma coisa, que precisava comprar algo, um post it colorido, uma caneta nova, uma barra de chocolate... qualquer coisa!
Então bolamos uma brincadeira, compraríamos alguma coisa que custasse até 5 reais. Era tornar o quase inevitável desejo de consumo por besteiras em algo, no mínimo, divertido! E foi! De cara achamos que não íamos conseguir comprar nada que prestasse, mas, meia hora depois, conseguimos até ficar na dúvida sobre o que comprar. E terminamos o desafio cada m com um copo, daqueles copos temáticos. O meu da coca cola, o dele da Bramah! E com a certeza de ganhamos uma tradição. 

terça-feira, 30 de março de 2010

Desde de janeiro to com esse texto engasgado na garganta, como um grito preso e talvez só agora seja a hora de colocá-lo para fora.

Bendita Fenea que faz a gente amar. Amar as pessoas das formas mais inesperadas possíveis.

Até o ano passado era fácil para mim falar que não fazia verdadeiros amigos, que eram apenas colegas, que os verdadeiros contava nos dedos da mão esquerda. Isso tudo mudou.
Eu percebi que havia mudado em janeiro, quando, no auge do desespero, eu chorei no ombro de alguém. Já faziam anos, tantos anos, que eu não me permitia só chorar. Eu chorei e fui abraçada, ninada, até por quem eu julgava não conhecer. Mas como não conhecer? Como não conhecer alguém que, durante sete dias, se mostra da forma mais verdadeira que uma pessoa pode se mostrar?
Em condições extremas, extremo stress, extremo álcool, extremo cansaço, extrema felicidade, todo mundo se conhece. Em sete dias conhecemos o melhor e o pior de todos, assim, sem esperar ou sem que ninguém pedir. Como não nos tornarmos amigos? Como não amar?
Então nos entregamos, e amamos quase que incondicionalmente aqueles que nos cercam por pouco tempo que torna-se uma eternidade. De repente percebemos que já existem uma quantidade imensa de sinais que simplesmente remetem aquelas pessoas queridas de tão longe, percebemos que contamos os dias para vê-lo, percebemos que eles são absolutamente capazes nos faz sorrir em dias horrendos.

E, o melhor, é quando se descobre que a Fenea não ta só ali, longe, que ela também ta aqui, que aquelas condições extremas vividas em um EA se aproximam das condições de uma entrega de PA, de PU, de DA, de qualquer coisa, ou mesmo da organização de EA e de um mini-EA.

A ficha já tinha caído a um tempo, mas só hoje deu pra escrever.


*legenda: Fenea. lá você encontra tudo que a curiosidade quiser saber.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Se eu partisse hoje, para uma longa viagem, apenas com data de inicio, o que eu levaria?

Eu levaria o abraço apertado da minha nova menina pequena de olhos verdes tão estranhos, eu levaria, pela mão, o amor que reconstruo passo a passo já tem quase 1 ano, eu levaria a minha paixão insensata pela louca insensatez de um moço bonito. Levaria o sorriso franco e a ingenuidade de uma menina que anda me ganhando a cada dia, levaria o bom dia mais expressivo de todos, levaria o cafuné mais bem vindo de todos, levaria uma dose de frieza e distanciamento que só aquela moça sabe ter. Levaria a capacidade de fazer furacão inversamente proporcional ao tamanho de uma pequena ali, levaria seu cheiro e sua lembrança. 

para meus amigos, pelo meu mais que excelente carnaval. 

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ate o ano passado saudade era uma palavra do meu vocabulário que só me remetia a minha adolescência. Saudade das aulas gazeadas pra caminhar na beira mar com uma garrafa de coca cola. Saudade da época que tínhamos que virar noites no colégio. Saudade de receber cedinho um abraço de bom dia todo dia. Eu nunca tinha “perdido” ninguém. Meus avós, todos, são vivinhos e saudáveis. Os amigos haviam, no máximo, tornado-se ex-amigos. E o último bicho de estimação que vi morrer foi em 99, antes de entender se quer o que era morte direito. Mas então chegou 2009, disposto a me ensinar a mais cruel das lições: pessoas partem, de vários modos.

Logo em janeiro, eu experimentei a sensação amarga de perder uma amiga. A morte é a pior das saudades. Por mais longe que more alguém, hoje existe internet, avião, webcam... Mas a morte não. Aquela pessoa nunca mais vai estar ali, vai dizer coisas que só ela diria, sorrir como só ela sorria. Aquela pessoa agora não é nada além de todas as lembranças que você tem dela, ela, de repente, vira apenas historia.

Dessa dor, da morte, foram duas vezes em 2009 que senti o gosto, mas da despedida, juro, perdi as contas. Foram incontáveis idas ao aeroporto, umas regadas a suor frio nas mãos, outras a fumaça de cigarro a cinco da manhã, outras ainda, a ursinhos e choro. E não foram só essas despedidas assim, no aeroporto. Em 2009, fui pela primeira vez a um encontro de estudantes. Fiz amigos. Vários estados, apenas uma semana, no fim, um bolo preso na garganta e a incerteza de quando nos veremos de novo. Era uma distancia até breve, seis meses, no máximo, mas ainda sim, a angustia de não tê-los aqui, todo o tempo, pesa.

Ingenuamente, achei que 2010 vinha pra ser diferente. Saudade foi o nome de 2009, esse ano não vai haver nem saudade nem espera. Será tudo diferente! Ledo engano! Janeiro mal terminou, e meu coração recém adquirido pra esse ano, já foi rateado em tantos pequenos pedaços... Saudade bate quando escuto All the single ladies, saudade de um cheiro bom de uma pessoa, saudade das conversas com sotaque paraibano... e a saudade já vem vindo por antecedência. Saudade das quartas feiras alcoólicas, saudade das palhaçadas totalmente sem noção, saudade de tudo. Tudo.

Não, não vai em 2010 que eu vou me ver livre desse sentimento. Pelo contrario, com tantas viagens, com tanta coisa acontecendo nesse ano furacão, saudade vai se tornar mais uma constante.

imagem: postal meu.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Quem vai estar daqui a cinco anos?

Normalmente eu me pergunto aonde eu estarei daqui a cinco anos, mas a uns dias me fizeram uma pergunta no formspring , hoje eu tive uma puta conversa com um amigo e cheguei em casa para abrir isso. Definitivamente era um sinal para falar de pessoas e não de coisas.

Claro que não sou exceção, já tive vários amigos ex-amigos. Amigos que foram embora porque os ventos mudaram e entenderam essa mudança. Esses são aqueles que encontramos vez por outra, em um bar qualquer, e conversamos por horas para depois ficar apenas aquele bom sentimento de saudade dos dias vividos.

Existem, também, os ex-amigos inconformados. Aqueles que nunca aceitaram o dia que você largou o coturno e comprou um salto, ou que nunca entenderam porque você começou a namorar aquele nerdzinho. Desses amigos, na maioria das vezes, preferimos manter uma distancia para que nenhuma memória positiva possa ser afetada.

Ainda há aqueles que se espera que nunca se tornem ex-amigos. Aqueles que amizade vem do nada e perdura por anos a fio, baseada em qualquer sentimento que não pode ser nomeado. Nem precisa ver todo dia, ligar toda semana, sair todo mês. Não se torna um ex-amigo porque não há brechas nessa amizade, as vidas mudaram, as rotinas mudaram, os gostos mudaram, mas ainda há um espaço dedicado ao outro. E esse espaço é único.

Assim, espero que as conversas de hoje sejam verdadeiras ao ponto de não se tornarem papo de ex-amigos.