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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Por anos ela sustentou um porte de mulher incapaz de ser alcançada pela idade. Uma mulher firme, com uma personalidade expressa nos gestos contidos e sérios, de poucos casos, amores, amantes. Em seu rosto, as marcas do tempo era ínfimas diante de tamanha austeridade, era impossível atribuir-lhe uma idade certa.
Agora, tão pouco tempo depois, ela parece prestes a se desfazer. Nada mais de gestos firmes, nada mais de voz empostada. Em seu lugar, um sorriso tímido, como das velhinhas resignadas que encontramos nas igrejas por aí. E no rosto, as marcas do tempo revelaram-se todas, de uma vez, em uma manhã. 

sexta-feira, 24 de setembro de 2010


eu... eu... eu... eu... eu... eu... eu....


eu nada, a madrugada já está bem aí e a lua já está aqui. 



segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Como que num desenho animado japonês, vejo um enxame de borboletas, muitas, de tamanhos mil, todas em um tom único de verde. Um verde estranho, brilhante, quase cinza, verdes quase cinza. Elas voam a minha volta, em desordem, não param, me assustam na mesma medida que me fascinam. Eu as quero, mas não as quero. Elas me confundem, trazem consigo um som único, eu não consigo fugir mas meu coração não parece ser capaz de ficar.
Num piscar de olhos, então, elas vão se transformando, assim, no ar, sem parar de se mover, vão tornando-se mais claras e numa fração tal de tempo, estão todas límpidas, verdes, puríssimas, não há mais nenhuma sombra de cinza. O som se acalma, seu vôo caótico se transforma num ritmado passeio a minha volta. Como que me chamando, elas começam a sair do circulo e eu as sigo. Medo? Há, algum, mas diferente...

sábado, 10 de julho de 2010

Esses dias li por ai uma ótima definição da adolescência, a autora falava que nessa época era como um bicho enjaulado, que se se debatia toda mais não sabia para onde fugir. Aquela idéia somada ao clima de férias dos últimos dias me fez refletir...  Me chamem de velha ou do que quiserem, mas o tempo está terminando.
Tive uma adolescência ótima, como toda adolescente que se preze, fui revoltada, fui punk, ouvi metal, achei que o mundo ia acabar quando meu primeiro amor não deu certo, bebi horrores. Não me envergonho de nada feito naquela época, nem repetiria os fatos hoje. Tenho plena consciência de que o tempo já passou.
Talvez para quem começa a “viver” agora, dizer no auge dos meus 22 anos que já me preparo para me despedir dessa vida de festas seja absurdo, mas é verdade. Já são, por alto, sete anos entre amigos, amores, festas e copos. Me parece absurdo que essa vida vá durar outros sete...
Não, não serei uma daquelas velhas carolas aos 30 anos, meu instinto não me permite. Mas, assim como os valores mudaram dos 14 até agora, eles mudaram de agora até os famigerados 30.
Com 14 eu era, tal como a menina do começo desse texto disse, um bicho enjaulado. Tudo era motivo para provar algo para alguém que nem sabia quem era. Não sei como esse espírito se acalmou, a fase a da inconseqüência extrema passou e deu lugar aquela época maravilhosa de começo de faculdade. Nessa época, o dinheiro que ganhamos ainda não é o nosso, mas o carro e a carteira de motorista, mesmo tendo sido presentes, são absolutamente nossos. Nossos horários não são mais do conhecimento de ninguém e estar no mundo de quarta a domingo é perfeitamente aceitável. Quem não faz isso nessa época de faculdade é até visto com maus olhos!
Depois vem essa fase escrota dos 20 e alguns anos. Creio que somos mais velhos aos 20 do que aos 30. Nessa época não dá mais para beber as custas dos pais, muito menos existe paciência para agüentar aquele sermão do domingo de manhã. Ao mesmo tempo, estamos tão instáveis que é como se perdêssemos a capacidade de construir algo. Relacionamentos, vida profissional, convívio familiar... de repente seria mais fácil ter 16 anos e ser apenas a prima revoltada da família!
Então, e aí eu entro no mundo das suposições, de repente esse bicho vai se acalmar, as coisas vão se por no lugar e, quando menos esperarmos, vamos ficar em casa, na sexta à noite, comendo pizza e fazendo cafuné em alguém.
E esse tempo está chegando, por enquanto ainda curto meu caos dos 20 e poucos anos, mas já vou avisando que no fim do ano quero um creme anti-rugas! 

segunda-feira, 21 de junho de 2010


Venha segunda feira, venha mais uma semana, venha tempo que corre... às vezes mais veloz do que queria, às vezes quase parando, se arrastando... Venha sol de todo dia, venha me acordar, me despertar, me fazer voar. Venha lua, de todo dia?, me fazer sonhar, me fazer reconhecê-lo entre tantos sorrisos.
Venha coragem para me fazer continuar, venha força para não desistir, venha tempo, corra, rápido, faça-o partir mas faça-o voltar.
Que venha mais uma semana! 



imagem linda achada aqui: http://gatekeeper.tumblr.com

terça-feira, 15 de junho de 2010

Às vezes só é preciso um pouco de calma para analisar tudo e se acostumar. Um pouco de álcool para se deixar levar. Um cigarro aceso nas horas vagas. Um livro roubado de um amor que marcou. Um filme a muito desejado.
Ás vezes só é preciso ter cabeça fria, e um pouco de sangue de barata. Tomar as decisões certas. Esperar o tempo que for preciso. Amar sem medo. Sorrir depois de tudo. Ter sonhos absurdos. Gritar para o vento. Se jogar em pleno dia de semana. Fugir.
Às vezes só é preciso acreditar. Em você mesma, claro. E dar um voto de confiança a alguém. Tentar de novo. Se entregar, de corpo e alma. Não sentir medo. Lutar. 

quarta-feira, 9 de junho de 2010

"Detestava a ideia de que toda atitude sua parecesse sempre tão irremediável, tão definitiva. Na sua cabeça, chamava isso de o peso das consequências, e tinha certeza de que aquilo era mais um dos aspectos obstrutores do pai que, em todos esses anos, enraizara se em seu cérebro. Ela desejava, com avidez,possuir a despreocupação das meninas dasua idade, o sentimento vazio de mortalidade.
Desejava toda a leveza dos seus quinze anos,mas, na busca por alcançá-la, despertava a fúria com que o tempo de que dispunha se esvaía.Assim, o peso das consequências tornava-se, na verdade, insuportável, e os seus pensamentosse punham a girar cada vez mais velozes,em círculos ainda mais apertados.”

Solidão dos Números Primos,Paolo Giordano 

terça-feira, 25 de maio de 2010

Existem pessoas que levam anos pra te ensinar ao menos uma lição, outras te ensinam num segundo.

Há muitos anos atrás, conheci uma garota que mudou muita coisa em mim. Éramos tão jovens, numa época em que toda chama vira um incêndio. E ela causou um desses em mim. Não sei se hoje ela seria capaz de lembrar meu nome, na verdade nem sei se ela ainda está viva hoje, mas existiu um dia em que ela me abraçou e que nós duas estávamos chorando. Naquele dia muita coisa mudou...
Agora, como que por um sinal, conheço alguém que me diz com quase todas as letras o que eu queria ouvir. Que me faz enxergar que não há erro algum em querer o que eu quero, como aquela menina há muito tempo fez. Falta-me apenas coragem, exatamente como faltou naquela época, de seguir uma estrada tão confusa assim.

Horrível quando, aos 22 anos, se alguém te perguntasse se você mudaria algo na sua vida você responderia: quase tudo. 

sábado, 15 de maio de 2010

De tudo ficaram três coisas...


talvez eu só precise de um tempo de calmaria, talvez eu só precise ouvir sua voz, talvez eu só precise de você longe daqui outra vez, talvez eu só precise de uma noite, talvez eu só precise que meu desejo se realize, talvez eu só precise de chocolate, talvez eu só precise das suas coisas idiotas, talvez eu só precise parar de precisar de coisas que vem de você.

sábado, 3 de abril de 2010

Ate quando somos jovens? São os cabelos brancos definem que o tempo passou? São os sobrinhos e filhos correndo pela casa? São as aventuras tentando fazer uma criança comer? São as noites que preferimos o aconchego da cama as luzes de uma boate? São as cervejas, que mesmo poucas, fazem um efeito absurdo? São as modas que se tornam incompreensíveis e tolas aos nossos olhos? São as contas que nos preocupam mais do que o programa do feriado? São os programas basicamente gastronômicos? São as tecnologias que se tornam tecnológicas demais? São os diários que já não cabem nos armários? São as fotos amareladas pelo tempo? São os ídolos mortos? São os amores passados? São as lágrimas derramadas? São os sorrisos dados?

A idade chega acompanhada do medo de estar apenas perdendo tempo.

domingo, 28 de março de 2010

Os pais tendem a pensar que aqueles comportamentos estranhos dos filhos, pircings e por ai vai, são apenas uma fase de afirmação, e que no fundo adolescente é sempre tudo igual. Provavelmente quando eu for mãe, farei a mesma coisa e ficarei irritadíssima com minha filha quando ela vier alegar identidade com o grupo de amigos.

Ou talvez não... Hoje eu constatei que essas tais diferenças entre grupos ultrapassam os limites que eu imaginava. Honestamente, mesmo tendo pertencido a um desses grupos estranhos, nunca tinha parado para pensar no quanto de diferença entre as tribos existia e muito menos como isso continua se materializando na vida adulta.

Faço parte de um grupo com valores bem diferenciados dos demais, e acabo de perceber isso só agora. Diminuímos ou simplesmente implodimos certos conceitos de relacionamentos, pra não falar de outros tantos. E deixamos claro que isso não afeta parte nenhuma das nossas vidas, exceto a própria parte de relacionamentos. Somos excelentes profissionais lidamos bem com prazos, com valores, com responsabilidade, mas simplesmente não nos encaixamos nos conceitos “normais” de relacionamentos.

Até hoje, pra mim, isso era apenas uma questão de brincadeira, de como as pessoas chocavam-se com nossas brincadeiras, ou simplesmente não as entendiam. Hoje, finalmente, caiu a ficha que não são apenas impressões, pircings, são filosofias de vida, são coisas bem mais profundas e enraizadas e que no fim geram mais problemas que apenas ruídos de comunicação com gírias diferentes...

segunda-feira, 1 de março de 2010


o texto de hoje foi substituído por uma imagem, por uma frase, por um oi que não dei, pelo beijo guardei, pelo abraço de ontem, pelo carinho que espero para abril, pela ausência do fim de semana, pela locura da segunda feira, pelo cheiro que amanheceu hoje no quarto. 


depois coloco os creditos da imagem, é uma foto minha da atual exposição do dragão do mar.  

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Até onde a gente vai por dinheiro? O que é utopia quando a gente entra na faculdade e o que é realidade?


Depois de passar uma noite das “férias” em claro tentando terminar um trabalho que ainda não terminei começo a repensar onde minha utopia vai me levar... OU, pior, onde essa necessidade de dinheiro vai me levar!