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sábado, 25 de setembro de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Ela se afastou espelho, olhou-se, um último retoque nos olhos. Nada ia atingi-la, ia passar imune por agosto. Agosto, o mês do desgosto.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Nas as mulheres tudo se exagera. Se são tímidas, a timidez parece dominá-las por completo, impede os movimentos, reprime e aprisiona. Se são visionárias, se lançam ao mundo e parece, sempre, grandes libertárias. É como se a elas não fosse reservado o direito de ser um pouco de cada coisa, quando é, é por completo.
Ela não era diferente. Era enjoativa, por completo. Daquele tipo que nunca atingira o auge, nem nunca atingirá. Porque, e aqui vai outra verdade sobre as mulheres, quando somos muita coisa no colégio, não seremos quase nada no resto da vida.
Todo o corpo dela trabalhava para esse olhar de ser alguém superior que nunca alcançou o que quis. Ombros empostados, meios sorrisos, nariz empinado. E não era somente com quem não gostava. A um mínimo olhar mais atento era possível vê-la olhando assim para os amigos, assim, com aquele olhar de desejo que eu seja tudo que você é e que você seja nada do que é possível ser.
Era assustadora e, como convém a toda caricatura, engraçada. Das suas derrotas que pude observar, me vangloriei de vê-la naquela posição e esperei, mesmo sem esperança, que ela pudesse tornar-se alguém melhor. Infelizmente, ou não, ela não mudou, nem eu.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Foi então que acabou a minha vida como eu conhecia. Não adiantava eu argumentar, questionar, pedir uma chance. O olhar dele era muito claro. A expressão de quem realmente não queria mais algo, não deixava dúvidas. Ali, naquele domingo de manhã, eu comecei a morrer. E era uma morte lenta e dolorosa.
A pior sensação do mundo é esse olhar, vazio, acompanhado da certeza de que não há mais nada que possa ser feito. Muito mais doloroso do que todo o processo em si, as caixas, as memórias, as pessoas ou os lugares.
Eu sou uma pessoa que não sabe dizer tchau. Não entendo despedidas, muito menos fins. Para mim, as pessoas apenas vão ali na esquina comprar pão, fumar um cigarro e acalmar os nervos. Daqui a dez minutos, ou dez anos, elas vão voltar e puft! Tudo está de novo no lugar.
Porém existem olhares que nos dizem que realmente não há mais pelo que lutar e que a esquina pode nunca chegar...
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O mote desse post é um texto da Cáren Nakashima postado na nova serie do meu blog preferido!
sexta-feira, 25 de junho de 2010
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Ela tinha cílios espessos, negros, e um olhar que independia da cor. Existem olhos que marcam pela cor, extremamente azuis, verdes, negros ou indecifravelmente coloridos. Existem outros que marcam pela expressão, aquela tristeza profunda, aquela empolgação com o mundo, aquela sabedoria inerente.
Os dela marcavam pela expressão, mas esta era tão indecifrável como a cor.
Não era, no todo, uma mulher fabulosa, e nem de longe uma mulher comum, de um lugar comum. Era uma mulher que aprendera que podia ser fabulosa, e o fazia quando queria, como um botão de liga/desliga, exatamente como uma mulher deve ser.
terça-feira, 27 de abril de 2010
Pra onde foi a minha inspiração? Cadê? Uma preguiça de acordar. Uma preguiça de tomar banho, escolher uma roupa, escolher entre bolo de chocolate e suco de laranja. Tudo parece ter o mesmo gosto falso de paliativos. De forte somente a preguiça de contar de tantas preguiças.
Da cartilha do sucesso, que manda estudar, amar o que se faz e se relacionar bem, apenas amei. Nem isso faço mais. Sou uma péssima aluna.
Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu.
Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo. Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados. Nem que seja para fazer falta.
Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal? Não existem segredos fatais: todo mundo come todo mundo por caça e infelicidade. Somos animais tristes e não seres loucos e apaixonados. Eu me enganei tanto com o ser humano que ando com preguiça de me entregar.
Ninguém tem coragem pra mudar nada, ou apenas é inteligente para saber que a rotina chega de um jeito ou de outro, não adianta se mover.
Pra quem faço falta e aonde me encaixo? Aonde sou útil e pra quem sou essencial? Pra onde vou e aonde descanso? Pra quem e por quem vivo?
Freud mexeu três vezes no túmulo com a vontade de me dizer que devo viver por mim. Dane-se a psicanálise: é muito mais gostoso ter outros encantamentos, além do umbigo.
Pra mim já era sexta feira, pra mim o semestre ja teria acabado, pra mim já seria natal de novo, pra mim você não teria voltado pra te perder de vez. na verdade, tanto faz, tanto faz, tanto faz.
texto lindo da Tati Bernardi, que escreve Aline. O restinho dele você encontra aqui.
Da cartilha do sucesso, que manda estudar, amar o que se faz e se relacionar bem, apenas amei. Nem isso faço mais. Sou uma péssima aluna.
Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu.
Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo. Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados. Nem que seja para fazer falta.
Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal? Não existem segredos fatais: todo mundo come todo mundo por caça e infelicidade. Somos animais tristes e não seres loucos e apaixonados. Eu me enganei tanto com o ser humano que ando com preguiça de me entregar.
Ninguém tem coragem pra mudar nada, ou apenas é inteligente para saber que a rotina chega de um jeito ou de outro, não adianta se mover.
Pra quem faço falta e aonde me encaixo? Aonde sou útil e pra quem sou essencial? Pra onde vou e aonde descanso? Pra quem e por quem vivo?
Freud mexeu três vezes no túmulo com a vontade de me dizer que devo viver por mim. Dane-se a psicanálise: é muito mais gostoso ter outros encantamentos, além do umbigo.
Pra mim já era sexta feira, pra mim o semestre ja teria acabado, pra mim já seria natal de novo, pra mim você não teria voltado pra te perder de vez. na verdade, tanto faz, tanto faz, tanto faz.
texto lindo da Tati Bernardi, que escreve Aline. O restinho dele você encontra aqui.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Como vai a vida real?
Amiga, queria te escrever e dizer que a vida real mudou, que, de repente, estamos vivendo com a mesma magia que você está respirando aí, mas não é bem assim...
A vida real continua em tons de cinza, ou seriam de bege?, se arrastando a cada dia, naquela mesma rotina monótona que você deixou. Ainda faz mais calor do que devia fazer na Cidade Solar, ainda temos segundas feiras entediantes e sextas feiras que demoram a chegar. Os domingos são curtos, começam, ainda, com a ressaca moral e terminam com o tédio ritmado da segunda que bate na porta.
As coisas chatas e burocráticas ainda se arrastam, mais lentas do que a própria semana, e se você me perguntar se algo que deixou pendente foi resolvido, infelizmente vou ter que lhe dizer que continua mais ou menos no mesmo pé. As quartas feiras tem sido chatas, dias de reuniões intermináveis, nada de cervejas perdidas marcadas e nossa juventude parece que se esvai nesse meio de brigas e burocracias.
O coração... esse, minha amiga, aposentei de vez e creio que já deve estar ficando empoeirado numa prateleira qualquer. Os desgostos foram tantos em tão pouco tempo que nem vale aqui contar, mas que fique claro, ainda há fé, pouca, mas ainda há.
Não houve nesse curto longo tempo que passou afastada nenhuma coisa que possa ser narrada com espetacular riqueza de detalhes. Nossas loucuras são tão previsíveis, ao menos a nós, que não lhe espantaria se eu dissesse, dia a dia, o que andamos fazendo por aqui. Para tantos existem mil cores nessa nossa rotina caótica, mas para nós, e disso você sabe, não há nada além de tons de bege e cinza.
No mais, sinto saudades, porém prefiro que fique ai e que me narre pedacinho por pedacinho o que se passa nessa terra encantada tão cheia de cores.
domingo, 4 de abril de 2010
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
o resto você lê, e se apaixona, aqui.
e sim, a semana santa acabou, a quaresma acabou e mágicamente eu estou sobrea de novo. nos eixo, tortos eixos, mas nos eixos!
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
o resto você lê, e se apaixona, aqui.
e sim, a semana santa acabou, a quaresma acabou e mágicamente eu estou sobrea de novo. nos eixo, tortos eixos, mas nos eixos!
sexta-feira, 26 de março de 2010
Godot me fala sobre a espera, não sobre a esperança. Espero Godot como quem quer respirar. Nada existe além da minha expectativa. Nada acontece. A sombra caminha, um dia é igual ao outro e nada nunca acontece. Brinco com as palavras e espero. Mas Godot não vem.
Virá amanhã? Eu espero, no silêncio. Minha consciência voltou no momento em que parei de trabalhar, comer, dormir...Descobri que sou estrangeira no mundo (me disse Camus). Me encontrei com o absurdo. O mundo é outro além de mim, eu não o reconheço. Que mundo é este, onde estou? Paris, Dublin, São Paulo? Belo Horizonte? Paisagem vazia e vã, onde está Godot? Eu espero.
Cristina Laterza
Em homenagem aos 8 anos de Zine-se, fiz um zine que posto amanhã e achei esse e-zine. Esse texto é de um zine de 2001!
domingo, 21 de março de 2010
hoje eu estou poética, mas é uma poesia limitada que ficará para um outro dia.
hoje eu só vou fazer propaganda do livro livre. uma das coisas que eu queria de volta era minha habilidade de ler mais de cem livros por anos, mas como sei que tem gente por ai que mau lê um por década, vale a iniciativa de propagar literatura assim. claro, não espere que eu deixe aquela minha edição em francês de Madame Bovary voando por ai, mas sempre posso comprar um pocket dela! =)
hoje eu só vou fazer propaganda do livro livre. uma das coisas que eu queria de volta era minha habilidade de ler mais de cem livros por anos, mas como sei que tem gente por ai que mau lê um por década, vale a iniciativa de propagar literatura assim. claro, não espere que eu deixe aquela minha edição em francês de Madame Bovary voando por ai, mas sempre posso comprar um pocket dela! =)
sexta-feira, 5 de março de 2010
"Na época eu era um sujeito perseguido pelas nostalgias. Sempre tinha sido, e não sabia como me livrar da saudade para viver tranquilamente.
Ainda não aprendi. E desconfio que nunca vou aprender. Mas pelo menos já sei uma coisa valiosa: é impossível me livrar das saudades porque é impossível se livrar da memória. Você não pode se livrar daquilo que amou."
Pedro Juan Gutierrez, Trilogia Suja de Havana.
e esse livro acaba de entrar na minha lista de top 10. fato.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Ainda é carnaval? De preto e branco, de listras, de maquiagem triste, pronta pra colocar o bloco na rua. Com tédio, muito tédio. Cervejas e cervejas, o mundo de cores é apenas mais um mundo mudo. O colorido de Carnaval não faz diferença, ela vê tudo em preto e branco, em listras.
O Alecrim sumiu, as cores sumiram, a alegria sumiu. É terça de Carnaval, ela não quer mais Carnaval. Chegam de mascaras, disfarces, fantasias, amanhã será tudo igual, de volta a monotonia, monocromática, porque cores, então?
De repente, porque isso é sempre de repente, um verde. Um verde quase cinza, bem ali, a brilhar discreto, num ainda mais discreto Pierrot já conhecido de outros bares. Porque não? São apenas mascaras, e amanhã já será, de novo, tudo apenas preto e branco.
Os papeis se invertem, Colombina procura Pierrot, que tão distraído ou discreto, não nota Colombina. Um minuto, dez minutos, muitos minutos. Distração tem fim, discrição acompanha. Sorrisos.
Sorrisos, conversas, abraços, cheiros, gostos, afetos.
Contrários, mas porque não? Opostos. Bons opostos.
Havia alguém, ela sabe, que ocupava aquele espaço, mas parece tão distante, perdido nas memórias de um outro Carnaval. Tão longe, como era mesmo seu nome? Ale...
De repente, porque tudo que é bom dura pouco, já é dia, já é quarta, as cinzas se espalham pelas ruas e é preciso se despedir.
Nos vemos?
Resta a dúvida, e o outro?Aquele que ocupava o espaço agora confuso? Carnaval são fantasias, ilusões, brincadeiras... Mas, porque não?
Sim.
E, ao meio dia, quando finalmente era quarta, O carnaval já acabou?
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Esse foi o texto que li ontem, na Zpl de fevereiro!
sábado, 27 de fevereiro de 2010
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