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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Mais tarde, quando for dia e não madrugada, eu vou te ligar. Não sei se você vai atender. Eu vou falar que preciso tomar um café, preciso de um amigo, preciso de você. Não sei se você vai topar me encontrar, você tem uns surtos de covardia mas eu vou tentar, pelo bem da minha sanidade mental.
Se você topar, eu vou te ver, e mesmo que eu não queira, eu vou me arrumar, me preocupar se você vai gostar do meu cabelo meio loiro. E vamos nos encontrar num café diferente, que não me lembre o tempo que éramos nós. Eu vou te dizer o que pedir, mais ou menos lembrando do seu antigo paladar, e vou descarregar tudo. Estou tranqüila agora, mas estou sentido sua falta.
Não sei se vou conseguir falar tudo que eu quero, falar que desde que você foi embora eu me sinto sozinha sempre que algo sai do prumo. Vou dizer que queria muito ter sido feliz para sempre com você e que ainda penso se não cometi um grande erro. Vou pensar algumas vezes antes de dizer, mas com certeza vou querer dizer que te amei muito, mas que hoje não passaria de egoísmo, e que você tem um papel único na minha vida.
Você vai ficar receoso de mim, mas vai se aproximar, e talvez falar alguma coisa, comentar da sua mãe, das meninas, da formatura, sorrir. Tudo vai ficar pesado demais, eu vou pedir a conta, você vai paga-la, eu vou te abraçar apertado e ir embora. Agora faz três anos que não somos mais nós, mas eu ainda sinto sua falta. 

sábado, 18 de setembro de 2010

Eu tive raiva, muito raiva. Ao mesmo tempo que meu coração saltava de felicidade por ouvir sua voz. Raiva e felicidade, as duas coisas que você é capaz de produzir.
O quão era injusto você me ligar naquela hora, naquele segundo, quando eu havia decidido de fato deixá-lo para trás.
 Quando você desligou, chorei como uma criança, chorei baixinho, assustada, com raiva e mais uma vez doeu como nunca doeu com nenhum outro. Doeu ter ouvido tudo que ouvi nessa hora. Porque não um mês atrás? Porque não?
Seus erros, sua ausência, nossa confusão admitida na tua voz, nas tuas palavras e minha perplexidade. Minha negação. Minha vontade de dizer, sim, foi tudo isso, nunca entendi porque não nos demos tempo, porque nos evitamos, porque...
Mas eu calei, e disse apenas que eu queria começar a criar parâmetros. E chorei.
Acordei hoje como se tudo não tivesse passado de um sonho. Conferi o numero no celular mil vezes e depois concluí que tudo fora um pesadelo.

Não, eu não vou voltar, ainda não é tempo, ainda não é tempo. 

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Agosto se esvai e desse mês de desgosto eu levarei boas e más recordações.

Levarei o som do avião pousando de volta na vida real, levarei a leveza da tarde de sábado em trio, a persistência da primeira semana executada sem falhas, o coração saltando com a chegada das primeiras mensagens, o enxame de borboletas ao saber que o furacão estava de volta.

Levarei, também, o sorriso enquanto cortava queijo para mim, a dor de saber que era apenas mais uma noite em um furacão, a calma de um beijo leve, o sorriso no olhar que me fez esquecer a dor.

Levarei as horas de espera, a ansiedade, o sorriso de felicidade a cada janela laranja piscante, os novos adjetivos e os novos sonhos totalmente verdes.

Também vou levar o ensinamento de que não é possível encarar um furacão, mesmo que estejamos dentro da armadura mais dura de todo mundo. Que de furacões, apenas nos é permitido correr, com toda força, sem olhar para trás. E que certos amores podem levar anos para serem declarados, mas isso não impede que eles existam.

E agora que setembro já pede passagem, que esse seja um mês de encontros, de sorrisos, de abraços, de amores. Um mês de reencontros. Dois já tem até data e hora. ;)


No fim, entre mortos e feridos, saímos todos vivos.

domingo, 29 de agosto de 2010

Os piores dias, no começo, foram os domingos. E ainda hoje são. Não há mais necessidade de acordar antes do almoço e tomar banho para esperá-lo. Também não há necessidade de fazer malabarismos para impedi-lo de olhar o futebol de todosantodomingo. Também não há mais a angustia de que quando o Fantástico acabar será hora de vê-lo partir.
Hoje, esses efeitos são amenizados pelos banhos de sol, pelos cafés de todo domingo, pelas horas a mais de sono. Mas em dias como hoje, quando está difícil até para eu conviver com a minha pessoa, sinto falta de alguém que cozinhe um hambúrguer vegetariano e que me ponha na cama.


Na verdade, eu não sinto falta de Alguém, eu gosto mesmo é de ser mimada! ;)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Hoje eu acordei com saudade de Salvador. Saudade do mar calmo e da água fria de lá. Acordei sentindo um cheiro no quarto e já não sabia que cheiro era. Quero dizer, sabia qual era, mas não fazia mais sentido lembrar-me dele. Ele me parecia confuso.


Acordei me perguntando se você já conhece Salvador, se já descobriu a calma que mora naquele mar. Acordei com vontade de te mostrar uma série de músicas que parecem ter sido feitas sob medida para esse momento. Acordei querendo que não fosse esse cheiro que estivesse aqui...

É mais difícil parar que continuar.



Foto: arquivo pessoal.

sábado, 31 de julho de 2010

A coisa que me fez perceber que talvez essa não seja mais minha casa foi o momento da volta.
Estou de volta, mas não senti saudades. Não senti saudades da cama, das paredes roxas, dos livros, do computador de mesa, da geladeira, do fogão, das roseiras, do cheiro de casa. Nem do meu banheiro pareço não sentir mais falta.
Não sei, hoje, se sou eu ou se é apenas uma fase, mas pareço me sentir mais em casa num quarto de hotel, num flat ou numa barraca qualquer do que na casa para onde minhas correspondências chegam. 


um lugar pra chamar de seu. 


imagem daqui

terça-feira, 27 de julho de 2010

agora eu não quero mais ir embora.
as ruas estreitas e sinuosas daqui, o centro cheio de ladeiras, o mar por todo lado, água e mais água.
eu não quero voltar, nem quero que ninguém volte, não quero.
aqui estou longe de tudo, ao mesmo ponto que estou próxima do que não há como esconder. estou perto e longe, o suficiente para viver em paz.



Quando acreditava que dentro 
Do não tinha um sim... 


ah, e eu vi O Bem Amado hoje, vale a pena, muito. 

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ainda lembro do teu gosto, do teu cheiro, do teu toque.
Ainda lembro das tardes felizes, das crianças na casa, do excesso de nós, dos detalhes mínimos.
Ainda ouso dizer que te conheço, que te compreendo, que entendo as entrelinhas das suas confusões. Entendo teus gestos cortados, teus sorrisos verdadeiros, teu jeito desmantelado, teu jeito nervoso não disfarçado.
Eu não queria ter partido. Não seria feliz, não era mais feliz, mas não queria ter partido. Mas hoje já não há como voltar...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ter te visto tanto esses dias mexeu um pouco comigo... Por anos, meu deus, já posso falar anos!, tentei entender o que havia acontecido com a gente. Entender como havíamos começado e, principalmente, como havíamos terminado. 
No fim, entendi que você nunca foi uma das minhas grandes paixões. Meu coração não pulava quando te via, minhas mãos permaneciam secas e meu estômago sem nenhuma borboleta. Mas você me fazia feliz. Quando eu lhe via eu apenas estava feliz, sem grandes medos ou grandes nada. 
No início, e no fim, isso me incomodava, minha pressa de viver tudo loucamente me dizia que não era uma boa idéia estar ali com você, que eu perdia tempo, que eu podia perder várias chances por simplesmente estar com você. Mas o tempo passou e antes que eu pudesse controlar, eu estava amando você. E era um amor onde eu não tinha medos, onde eu era apenas eu, sem tentar impressionar ou me esconder. 
No fim, quando acabou, eu tentei me enganar e dizer que não havia sentido nada. Hoje, eu já sorrio e digo que você foi o melhor companheiro que tive, se não o único verdadeiro... e, até, ouso dizer que sinto saudades.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Hoje me dei conta que já já fará seis meses de você... Incrível como a simples menção do seu nome me provoca sorrisos...
Sabe o que eu mais guardei seu? Guardei seu cheiro... Acho, na verdade, que foi seu cheiro que me ganhou, como quem diz eu pareço ser outra pessoa, mas no fundo eu sou assim. E ainda tem dias em que eu acordo e sinto seu cheiro pelo ar, como se você tivesse aqui, do meu lado, e não tão longe. E é esse seu cheiro que só me trás boas lembranças, que me trás apenas a loucura de estar ao seu lado, tão intensamente...
Agora, no dia-a-dia, te vejo impresso em traços de outro. Te vejo nos gestos de pés e mãos, na fala agoniadamente calma, nos detalhes que tantos não entendem mas que confirmam quando menciono a semelhança. E assim vou notando o quanto de ti guardei em mim e o quanto sinto falta daqueles dias e noites, daquela chuva, daquelas brincadeiras, daquele sorriso... Vou me dando conta do quando sou capaz de ter, inteiro, só de fechar os olhos, aqui, agora.

Será que você sabe que o que escrevo é para você? Será que o que você escreve é para mim? 

sábado, 22 de maio de 2010

Quando eu olho pro ceu, deitada na piscina, no sol de sábado, vejo uma antena, dessas de telefone celular, cortando o céu azul de fortaleza. Eu a vejo entre o telhado da casa que ainda chamo de minha e as várias plantas que estão por aqui. Ela é tão recente e ao mesmo tempo parece tão encaixada nessa vizinhança, como se nunca tivéssemos existido sem ela...E sem ela, dos nossos quintais, veríamos apenas as plantas e os pássaros que há muito deixaram de voar por aqui.

Alias, acabo de constatar que, quando pequena, sempre via pássaros voando naquela formação estranha de pássaros, e tinha medo por ter visto Os pássaros do Hitchock cedo demais. Aqueles pássaros da minha infância já não voam mais por aqui, e hoje, nos fim de tarde, vemos no céu, apenas, a torre, cortando tudo e nós lembrando que o progresso chegou, mesmo que no fundo dos quintais ainda existam ninhos perdidos...


Sim, eu vou senti falta dessa casa, desse balanço embaixo da mangueira, dos mandacarus gigantes, das tardes na piscina, do céu cortado pela torre...

sábado, 1 de maio de 2010

Já faz quantos anos? Confesso que não consigo me lembrar se foi por 2000 ou por 2001, mas não importa, são apenas datas de um arquivo que se mantém vivo.
Naquela época podíamos dizer que a proximidade e a convivência era forçada. Todo dia, de 7h ao meio dia, várias tardes e várias noites também. Podiam achar que um dia ficaríamos velhas e que nunca mais nos veríamos, como acontece com tanta gente por ai.
Mas a vida não foi bem assim. Hoje já não existe a convivência diária, aqueles abraços de bom dia, aquelas coisinhas pequenas que só surgem com o dia a dia, mas há, ainda, muita intimidade, e essa intimidade vem do amor que ainda compartilhamos.
O mundo levou cada uma para um lado e o que naquela época listrada era igual hoje se diferencia no tamanho do salto, no gosto pela maquiagem e nas profissões. De longe, para quem vê sem conhecer, são três pessoas totalmente diferentes, até difícil de imaginar juntas. Mas de perto, a velha intimidade se faz presente e todos aqueles traços de personalidade que são iguais afloram não só no nosso vegetarianismo.
É mágico perceber, e realizar, que já somos adultas, que já agüentamos nossas melhores e piores fases juntas e que ainda somos capazes de rir, sem medo, mesmo depois de meses e km de distancia.  

Que seja eterno enquanto dure, mas que dure para sempre e meus filhos agradeceram saberem matemática e não serem diabéticos! 

terça-feira, 6 de abril de 2010

Às vezes é preciso ter cuidado com seus pedidos, é preciso ter cuidado com o que chamamos de lar, com o que chamamos de casa, com o que chamamos de amor.
Ontem eu desejei ir para casa, para minha casa que não é aqui. Desejei pegar um avião, cochilar 30 min e acordar em São Luis. Tomar um banho quente e ficar sentada na mini varanda olhando pela janela aquela lagoa tão estranha. Então descer, andar de bicicleta no calçadão e dormir me sentindo feliz.
Hoje, quando eu acordei, eu não quis abrir os olhos, pressenti a tempestade que viria e passei o dia todo entre choramingos e risadas para, no fim, concluir que em maio estarei em casa, na minha outra casa, em São Paulo. Estarei de volta a Oscar Freire, e por dois dias vou respirar aquele ar pesado daquela cidade cinza, vou acordar cedo e descer aquela avenida toda, olhando as vitrines, parando pra tomar café na minha padaria preferida, depois vou caminhar ate o conjunto nacional e passar um tempo precioso na cultura, vou tomar café na pinacoteca, olhando o parque da luz e quando chegar em casa vou ficar só observando, pela janela, a cidade cinza.
Quando eu já estava quase admitindo que foi melhor como foi,  estava ficando feliz de aproveitar aqui a Bienal e a calourada, o telefone tocou. E não, eu não sei mais seu número decorado. Dessa vez você foi rápido e pratico, disse tudo em dois segundos, num sopro, e não me deixou escolha. Como se eu tivesse, de alguma forma, escolha... Mas eu só sorri, e disse sim, agradecendo mentalmente ainda não ter marcado as passagens.
É, agora eu posso dizer com todas as letras, eu estou de volta ao lar. E eu não vou pensar que essa estar de voltar vai durar uma noite ou três dias, vou pensar apenas que estou de volta a minha casa. 

terça-feira, 30 de março de 2010

Desde de janeiro to com esse texto engasgado na garganta, como um grito preso e talvez só agora seja a hora de colocá-lo para fora.

Bendita Fenea que faz a gente amar. Amar as pessoas das formas mais inesperadas possíveis.

Até o ano passado era fácil para mim falar que não fazia verdadeiros amigos, que eram apenas colegas, que os verdadeiros contava nos dedos da mão esquerda. Isso tudo mudou.
Eu percebi que havia mudado em janeiro, quando, no auge do desespero, eu chorei no ombro de alguém. Já faziam anos, tantos anos, que eu não me permitia só chorar. Eu chorei e fui abraçada, ninada, até por quem eu julgava não conhecer. Mas como não conhecer? Como não conhecer alguém que, durante sete dias, se mostra da forma mais verdadeira que uma pessoa pode se mostrar?
Em condições extremas, extremo stress, extremo álcool, extremo cansaço, extrema felicidade, todo mundo se conhece. Em sete dias conhecemos o melhor e o pior de todos, assim, sem esperar ou sem que ninguém pedir. Como não nos tornarmos amigos? Como não amar?
Então nos entregamos, e amamos quase que incondicionalmente aqueles que nos cercam por pouco tempo que torna-se uma eternidade. De repente percebemos que já existem uma quantidade imensa de sinais que simplesmente remetem aquelas pessoas queridas de tão longe, percebemos que contamos os dias para vê-lo, percebemos que eles são absolutamente capazes nos faz sorrir em dias horrendos.

E, o melhor, é quando se descobre que a Fenea não ta só ali, longe, que ela também ta aqui, que aquelas condições extremas vividas em um EA se aproximam das condições de uma entrega de PA, de PU, de DA, de qualquer coisa, ou mesmo da organização de EA e de um mini-EA.

A ficha já tinha caído a um tempo, mas só hoje deu pra escrever.


*legenda: Fenea. lá você encontra tudo que a curiosidade quiser saber.

sexta-feira, 5 de março de 2010


"Na época eu era um sujeito perseguido pelas nostalgias. Sempre tinha sido, e não sabia como me livrar da saudade para viver tranquilamente.


Ainda não aprendi. E desconfio que nunca vou aprender. Mas pelo menos já sei uma coisa valiosa: é impossível me livrar das saudades porque é impossível se livrar da memória. Você não pode se livrar daquilo que amou."

Pedro Juan Gutierrez, Trilogia Suja de Havana. 

e esse livro acaba de entrar na minha lista de top 10. fato. 

segunda-feira, 1 de março de 2010


o texto de hoje foi substituído por uma imagem, por uma frase, por um oi que não dei, pelo beijo guardei, pelo abraço de ontem, pelo carinho que espero para abril, pela ausência do fim de semana, pela locura da segunda feira, pelo cheiro que amanheceu hoje no quarto. 


depois coloco os creditos da imagem, é uma foto minha da atual exposição do dragão do mar.  

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Amanhã é, de fato, a primeira segunda feira do ano.

Quando, a 51 dias atrás, pulamos sete ondas, abraçados e levemente embriagados, não tínhamos certeza de como seria o ano de 2010. Um amontoado de esperanças somado a um amontoado de sonhos, era tudo que visualizávamos para esse ano.

Agora, janeiro passou como que um ano inteiro, uma serie de ondas fortes para mudar o pouco que havia de concreto nesse ano e fevereiro chega ao fim trazendo a única certeza: esse será um ano de viagens.  Viagens... essa parece ser a única e reconfortante certeza desse ano.

Ano passado, comecei o ano no Rio, em 24h estava em São Paulo e antes do fim do segundo dia estava aqui. Depois, Natal, João Pessoa, Pipa, Belo Horizonte, muitos dias em Canoa, Salvador, Morro de São Paulo... Foi um ano de viagens, que nem se comprar a lista de distintos de 2010. Areia, Curitiba, Natal, São Paulo, Uberlândia, Brasília, Recife... E o melhor, eu gosto de estar assim.

Sentir falta de Fortaleza, do nosso por do sol, do nosso mar quente, do nosso vento só nosso, eu bem sinto, mas concordo: um homem precisa viajar por si mesmo, conhecer o mundo. A cada viagem, chega em casa um novo homem, para encarar uma nova uma casa. Antes o que era grande é nada, e os pequenos prazeres tornam-se os maiores. Uma viagem, seja qual for, transforma valores e agrega coisas inimagináveis. E só se aprende isso viajando.


Que venha 2010 com suas viagens e que eu nunca pare. Nunca. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Se eu fechar os olhos, o que eu lembro de você?

Eu lembro da primeira impressão nem um pouco agradável sua. Eu lembro que sentia um certo receio em me aproximar de você. Eu lembro que estranhei você não ter um gosto amargo mesmo com tanto cigarro. Eu lembro de você dançando. Eu lembro de como você me ganhou me fazendo rir. Eu lembro de como senti vergoinha de você e como dois segundos depois essa vergonha passou. Eu lembro de você perguntando se eu ia ficar. Eu lembro de você dormindo, me abraçando. Eu lembro de você acordando, murmurando qualquer coisa inaudível. Eu lembro de você falar de mim, de você lembrar de mim. Eu lembro do meu sorriso e da minha incredulidade. Eu lembro das outras caras incrédulas. Eu lembro de ter sentido ciúmes. Eu lembro de ter ficado triste. Eu lembro de ter querido te abraçar e chorar. Eu lembro de ter querido perguntar porque. Eu lembro dos sorrisos simples. Eu lembro de não saber onde colocar as mãos. Eu lembro de não ter idéia do que falar. Eu lembro de não ter idéia do que fazer. Eu lembro de te procurar com os olhos. Eu lembro do coração apertado. Eu lembro da sua simplicidade. Eu lembro das suas historias. Eu lembro dos seus receios. Eu lembro de sentir raiva. Eu lembro das brincadeiras dos outros. Eu lembro da insegurança de novo. Eu lembro da felicidade de ver você voltando. Eu lembro do sono tranqüilo ao seu lado. Eu lembro do beijo de já volto. Eu lembro do beijo de nos vemos logo. Eu lembro do seu cheiro.



Fazia tempo que era pra esse texto ter saído. Mas ter ficado sem palavras, hoje, quando achava ter todas, simplesmente me destravou.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Ate o ano passado saudade era uma palavra do meu vocabulário que só me remetia a minha adolescência. Saudade das aulas gazeadas pra caminhar na beira mar com uma garrafa de coca cola. Saudade da época que tínhamos que virar noites no colégio. Saudade de receber cedinho um abraço de bom dia todo dia. Eu nunca tinha “perdido” ninguém. Meus avós, todos, são vivinhos e saudáveis. Os amigos haviam, no máximo, tornado-se ex-amigos. E o último bicho de estimação que vi morrer foi em 99, antes de entender se quer o que era morte direito. Mas então chegou 2009, disposto a me ensinar a mais cruel das lições: pessoas partem, de vários modos.

Logo em janeiro, eu experimentei a sensação amarga de perder uma amiga. A morte é a pior das saudades. Por mais longe que more alguém, hoje existe internet, avião, webcam... Mas a morte não. Aquela pessoa nunca mais vai estar ali, vai dizer coisas que só ela diria, sorrir como só ela sorria. Aquela pessoa agora não é nada além de todas as lembranças que você tem dela, ela, de repente, vira apenas historia.

Dessa dor, da morte, foram duas vezes em 2009 que senti o gosto, mas da despedida, juro, perdi as contas. Foram incontáveis idas ao aeroporto, umas regadas a suor frio nas mãos, outras a fumaça de cigarro a cinco da manhã, outras ainda, a ursinhos e choro. E não foram só essas despedidas assim, no aeroporto. Em 2009, fui pela primeira vez a um encontro de estudantes. Fiz amigos. Vários estados, apenas uma semana, no fim, um bolo preso na garganta e a incerteza de quando nos veremos de novo. Era uma distancia até breve, seis meses, no máximo, mas ainda sim, a angustia de não tê-los aqui, todo o tempo, pesa.

Ingenuamente, achei que 2010 vinha pra ser diferente. Saudade foi o nome de 2009, esse ano não vai haver nem saudade nem espera. Será tudo diferente! Ledo engano! Janeiro mal terminou, e meu coração recém adquirido pra esse ano, já foi rateado em tantos pequenos pedaços... Saudade bate quando escuto All the single ladies, saudade de um cheiro bom de uma pessoa, saudade das conversas com sotaque paraibano... e a saudade já vem vindo por antecedência. Saudade das quartas feiras alcoólicas, saudade das palhaçadas totalmente sem noção, saudade de tudo. Tudo.

Não, não vai em 2010 que eu vou me ver livre desse sentimento. Pelo contrario, com tantas viagens, com tanta coisa acontecendo nesse ano furacão, saudade vai se tornar mais uma constante.

imagem: postal meu.