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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Querida,
Reli esse texto aqui e uns outros tantos daqui. Pensei no fim do ano. Reli as mensagens. Contei as ligações e as menções positivas no diário. Fiz um balanço das risadas, das manhãs que chegaram muito cedo e das noites que foram muito curtas. Conclui, no fim, que talvez te deva desculpas.
Naquele dia você, possivelmente, não fazia idéia de quem eu era. Eu, naquela quinta feira, como você, nessa quinta feira, não deixei transparecer nada além de leves sinais. Tão discretos que possivelmente você nem notou.
No começo, nessa quinta feira, eu tentei não demonstrar nada. Eu te abracei primeiro. Eu fingi não vê-lo nem senti-lo. Mas eu estava feliz. Feliz como só mulheres que amam sabem ser felizes. Feliz por dessa vez não ser eu a juntar os cacos. Egoistamente feliz.
No começo, eu me portei direito, mantive distancia, dei espaços. Mas há sempre aquele nosso amigo álcool que vem para quebrar barreiras, e no fim eu já não era tão discreta assim, nós já não éramos tão discretos assim e não sei se nessa noite foi você que no fim chegou em casa juntando os seus pedaços.
Talvez não caiba desculpas aqui, mas são quase 2h da manhã, é fim de ano, minha cabeça está, instintivamente  nele, e achei melhor ter a consciência limpa. Egoistamente. Mas quem disse que eu não sou egoísta?! 

B. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

às vezes eu queria entender essa necessidade de ser excepcionalmente boa em tudo. às vezes eu queria desistir de tudo e ser apenas um apanhador em um campo de centeio. 

domingo, 26 de setembro de 2010

Me desculpe, eu não sei falar usando palavras que saem da nossa boca. Me desculpe, eu não sei dizer o que quero dizer, o que devo dizer, o que preciso dizer. Me desculpe, eu viro um balão, fico “gorda”, cheia de ar, tensa, prestes a explodir, irritadiça a um toque. Me desculpe, essa minha irritação passa por abuso e fala, quase sempre, exatamente o contrario que queria falar com palavras orais, dessas que todo mundo sabe dizer. Me desculpe, não é que eu não sinta nada, eu sinto até demais, eu só não sei falar, só sei escrever. Ou desenhar.

domingo, 18 de julho de 2010


A casa está arrumada, tirei a poeira de todos os móveis. Essa semana, não faltei a aulas, não ignorei chamadas no telefone, não negligenciei o diário.  Cumpri todas as minhas atividades programadas, caminhei de segunda à quinta, tentei acordar mais feliz. Não bebi uma cerveja se quer, não acendi nenhum cigarro, não falei com ninguém que prometi esquecer.
A vida vai entrando em eixos que eu havia esquecido que existiam, como um viciado vou me adaptando a não ouvir mais o murmúrio da noite. Ainda assim, eu não consigo dormir antes das duas. O silêncio me incomoda profundamente.


Já paguei as contas, já marquei os médicos que vou quando voltar, já cumpri minha obrigações de tia por, pelo menos, duas semanas. Já comprei moleskines novinhos, de uma cor nova para atrair boas vibrações, já coloquei meu nome, endereço e telefone neles. Já comprei livros para ler no avião, na varanda, sentada olhando para a lagoa, nas horas de solidão. Já avisei a todos o horário que vou e o horário que, a contra gosto, devo voltar, e já tirei as cartas para o semestre que vai chegar.
Estranhamente, as cartas me acalmaram. Me disseram, sorratareiramente, que esse vai ser um tempo bom, de calma e amadurecimento. Porque amadurecer é assim, se cortar inteiro e depois parar para esperar as feridas fecharem. Me disseram, também, que talvez não seja loucura esperar por um reencontro e que estou mais do que certa em dar um tempo disso. Infelizmente elas não me disseram a única coisa que quero realmente saber, como sair disso tudo aqui. 

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imagem de uma das series de fotos mais linda que já vi, de Jasper James, via.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Me desculpe por ser assim, me desculpe por não conseguir gostar de você assim, me desculpe por ter até medo de tentar, me desculpe por não saber como te explicar, me desculpe por te querer por perto, me desculpe por ser eu mesma, me desculpe por minhas lágrimas, me desculpe pelos meus vazios, me desculpe por ser assim.