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sábado, 20 de novembro de 2010

Não há mais nada a fazer, falar, ou sequer pensar. Se nada foi suficiente, o  tarôt acaba de me dar um oito de copas. Um fim no meio do caminho. 


às vezes eu não queria ser tão assim... 


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

às vezes eu queria entender essa necessidade de ser excepcionalmente boa em tudo. às vezes eu queria desistir de tudo e ser apenas um apanhador em um campo de centeio. 

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eu tenho um coelho de pelúcia há quase 20 anos. É uma primeira versão do Sansão da Mônica que hoje vendem por aí. Não lembro ao certo quando o ganhei, parece um daqueles brinquedos que já nascem com a gente. Também não sei de onde tiramos seu nome, Orelhudo, mas nosso talento para nomenclatura persiste até hoje.

Eu o joguei fora, uma vez, tinha uns quatorze anos, quase quinze, mas minha mãe o recolheu do lixo e me disse que um dia eu iria querê-lo de volta e eu o quis, algumas semanas depois.

Nele foram depositadas as minhas poucas lágrimas de medo, as 4 anos, e ele estava no meu lado quando saímos para o meu primeiro passeio para cortar o cabelo depois da cirurgia. Anos depois, era ele que eu abraçava, a noite, quando sentia sua falta e não conseguia entender o que acontecia. Ele agüentou, mudo, toda a raiva infundada, o ódio, os piores anos. Ficou velho, desgastado, mas esteve lá, como uma lembrança de que havia algo de errado em todo aquele rancor, uma lembrança do passado feliz.

Os anos foram bons comigo, eu perdoei até o que eu não sabia que havia acontecido. Entendi que havia brigas que não eram minhas. E esse coelho esteve lá no dia em que eu chorei e te abracei e quando, pela primeira vez em uns 10 anos, eu pude contar com você.

Hoje você está ao alcance de um telefonema, a uns 20 min de carro, a um choro de socorro. Mas até quando você estará aqui? Até quando esse coelho pode descansar de todas as suas obrigações? 


posso ser egoísta mais uma vez e te pedir para não me deixar? 

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Vou guardar, em uma caixa, várias coisas suas... Vou guardar o bom dia da ultima vez, o brilho no olhar do primeiro café da manhã, o sorriso calmo de quando você dorme, umas várias brincadeiras e muitas conversas. Vou guardar tudo isso em uma caixa, escrever na frente dela seu nome e colocá-la num canto escondido, junto com tanta outras que hoje apenas acumulam pó. 


às vezes é preciso saber a hora de desistir...

sábado, 15 de maio de 2010

De tudo ficaram três coisas...


talvez eu só precise de um tempo de calmaria, talvez eu só precise ouvir sua voz, talvez eu só precise de você longe daqui outra vez, talvez eu só precise de uma noite, talvez eu só precise que meu desejo se realize, talvez eu só precise de chocolate, talvez eu só precise das suas coisas idiotas, talvez eu só precise parar de precisar de coisas que vem de você.

quarta-feira, 24 de março de 2010



Leia enquanto escuta. 

De repente, parece já não dar mais. É tarde e nada foi resolvido, é tarde e tudo ainda vai se arrastar por muito tempo, é tarde e não há ninguém esperando. As tarefas são simples, chegar em casa, cozinhar qualquer coisa, comer ao som da Tv, terminar as pilhas de trabalho que se acumulam pelos cantos. Não há ninguém para chamar para dormir mais cedo, ninguém para fazer a comida, ninguém pra acordar no meio da noite e lembrar que existem tarefas a serem cumpridas. 
De repente, uma vontade louca de chorar, de encostar o carro, de gritar que não é tão forte assim. Mas se apenas se render, o que vai sobrar? A pior sensação do mundo é saber que não há ninguém que vá ficar, que va restar. je reste seule. 
Mas não, não dá. Existem algumas pessoas que nasceram para serem fortes, não é?  E com certeza todas essas pessoas ja fraquejaram e choraram, é apenas uma nuvem, é apenas uma época ruim, umas época de adaptação! 
De repente, tudo passa (ou é escondido), e lembra-se de mais uma coisa que é preciso fazer. 

quarta-feira, 17 de março de 2010


o texto que eu ia postar aqui foi censurado pela minha razão.
maldita razão. 

imagem daqui.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Aprendiz de Lisbela


O que aconteceu com os romances hollywoodianos? Por que ninguém mais corre atrás dos outros? Ninguém sobe vinte andares de escadarias de um prédio, ninguém vai até o aeroporto atrás de algum vôo perdido, ninguém tem fôlego para serenatas noturnas com violão, ninguém tem pique para escalar sacadas, ninguém abre as portas de uma igreja qualquer e a plenos pulmões sai gritando que se opõe ao casamento. Não, isso não existe mais. É muito cômodo ficar em casa remoendo a situação ao invés de enfrentá-la. Aquela velha questão da discrição, de ser resignado e segurar seus impulsos apaixonados para não quebrar a cara depois. Às vezes eu fico aqui me perguntando se eu lutei o suficiente pelas pessoas que passaram pela minha vida. Eu deveria ter dado mais do meu sangue, do meu suor, das minhas lágrimas. Eu deveria ter dito tudo o que eu tinha guardado. Eu preciso de um atestado de intensidade vivida para entregar na porta do céu ou do inferno quando eu morrer. Eu preciso saber que fiz o possível, saber que valeu a pena. E quanto mais eu penso nisso, mais eu tenho certeza de que não moro em Hollywood e que de nada adiantaria fazer tudo isso. Aliás, agora eu não moro mais em nenhum lugar específico e algumas lutas sempre serão em vão.


Não, eu vou mudar. Eu vou correr atras, eu vou gritar, eu vou dizer o que nunca disse, ou melhor, eu vou dizer a pessoa certa o que eu nunca disse. Dessa vez não cabe calar, esperar passar, ficar muda, procurar outro alguém. Dessa vez não. 


um brinde ao meu primeiro passo. 






texto daqui. vale a visita, demais!