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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Por anos ela sustentou um porte de mulher incapaz de ser alcançada pela idade. Uma mulher firme, com uma personalidade expressa nos gestos contidos e sérios, de poucos casos, amores, amantes. Em seu rosto, as marcas do tempo era ínfimas diante de tamanha austeridade, era impossível atribuir-lhe uma idade certa.
Agora, tão pouco tempo depois, ela parece prestes a se desfazer. Nada mais de gestos firmes, nada mais de voz empostada. Em seu lugar, um sorriso tímido, como das velhinhas resignadas que encontramos nas igrejas por aí. E no rosto, as marcas do tempo revelaram-se todas, de uma vez, em uma manhã. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Amanhã será um dia importante, e eu travisto minha ansiedade em falta de concentração. Já sei que não vou dormir, que cedo vou estar de pé, que vou lavar o cabelo, secá-lo todinho, escolher os sapatos antes de escolher a roupa e que vou passar a manhã fingindo trabalhar, em vão.
Sei que quando for quase a hora do almoço nem vou conseguir sentar de tanta ansiedade, que vou ficar levantando a cada cinco minutos, alternando entre o banheiro e tomar água. Que vou repensar todos os lugares possíveis para almoçar porque já sei que quando você me pegar vai dizer: para onde vamos? E que eu vou chorar no segundo exato que meus olhos tocarem os seus, afinal, você está aqui por minha causa, pela primeira vez...
Então eu vou desabar, mais uma vez, e te contar todas as coisas que ninguém mais ouviu, e você vai me pagar alguma sobremesa de chocolate e eu vou chorar mais ainda e dizer que estou me lembrando dele. E você vai rir. Eu vou falar que tenho medo de nada dar certo, d’eu não dar certo, de perdê-lo mais uma vez, de perdê-la. E você vai me chamar de princesa e me acalmar.
Então eu vou voltar pro trabalho e começar meu segundo turno de espera. Vou esperar a noite chegar, o celular tocar, qualquer sinal que ele queira dar. E quando o sol se por, eu vou sair do trabalho, passar no shopping, quase comprar uma dúzia de sapatos, comer muito, ligar umas trintas vezes para você e chegar em casa atrasada. Vou desfazer a roupa que planejei a semana toda, enjoar do meu cabelo gigante, errar a mão no delineador, perder um brinco em casa, exagerar no perfume e ter medo. Vou parar na frente do espelho, repetir para mim mesma que sei exatamente o que estou fazendo, agradecê-lo mentalmente por existir ali. E vou rezar para que ele não esteja de vermelho. Então vou vê-lo. E toda certeza conquistada nos últimos meses vai desaparecer magicamente, eu vou engolir um enxame inteiro de borboletas agitadas, vou sorrir como criança. Vamos procurar coisas que eu coma no cardápio, e ele vai implicar, depois vai pedir queijo e beberemos um bocado, pra espantar o nervosismo mutuo. Ele vai me beijar, quando eu menos esperar, e finalmente, meu dia vai acabar. 

Amanhã vai ser um dia importante... 

domingo, 26 de setembro de 2010

Me desculpe, eu não sei falar usando palavras que saem da nossa boca. Me desculpe, eu não sei dizer o que quero dizer, o que devo dizer, o que preciso dizer. Me desculpe, eu viro um balão, fico “gorda”, cheia de ar, tensa, prestes a explodir, irritadiça a um toque. Me desculpe, essa minha irritação passa por abuso e fala, quase sempre, exatamente o contrario que queria falar com palavras orais, dessas que todo mundo sabe dizer. Me desculpe, não é que eu não sinta nada, eu sinto até demais, eu só não sei falar, só sei escrever. Ou desenhar.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dona Sora achou aqui e hoje, entre caminhadas, horas de reclamações, encontros marcantes e telefonemas saltitantes, ela me desafiou a escrever nove coisas que ela não soubesse de mim. Levando em conta meu talento para me expor e nossos milênios de amizade, lá vou tentar.

1 – Morro de preguiça de lavar o cabelo. Gente, meu cabelo tá gigante, principalmente se comprado a cortes quase “joãozinho” que já tive. Nada mais justo que ter preguiça de lavá-lo dia-sim, dia-não. Principalmente quando é dia-sim dia-também! ^^
2- Às vezes eu fico pensando e se eu morresse agora? Eu sei que é macabro, mas é mais freqüente do que eu queria pensar. ¬¬ Acontece principalmente em aviões e barcos, apesar de que não tenho medo de nenhum dos dois. Mas SEMPRE eu fico imaginando se acontecesse um acidente, como eu sairia do lugar.
3- Odeio ficar vestida e calçada em casa. Nunca conseguiria morar em apartamento que vizinho pudesse me ver, iam viver me vendo pelada. Sério. Dá agonia! Chego em casa, banho e fico de toalha se deixar até ter de sair de casa de novo. Por isso uso roupão!
4- Da minha infância, tenho a impressão de lembrar da minha primeira palavra. Juro! Falei sapato enquanto uma tia minha tentava enfiar meu sapato no pé. Dizem que falei “papato”. Não sei se criei uma imagem na minha cabeça da cena ou se lembro. A neurolinguistica deve explicar.
5- De madrugada , tenho mania de conferir se minha vó ta respirando. Ela faz barulho pacas dormindo e para do nada. E como eu não durmo, quando ela para eu levanto e vou checar se ta tudo bem. Pura paranóia. Minha vó tem mil vezes mais saúde que eu.
6- Tô criando o habito de passar o domingo de biquíni. Acordo, juro que vou pra piscina, ponho o biquíni e até passo uma meio horinha lá, depois desisto e fico o resto do dia me prometendo que vou tomar sol. Como procrastinar até o banho de sol semanal...
7- Tenho guardada ao menos uma rosa de todos os buques que ganhei na minha vida toda. Desde o de 15 anos, passando pelos três anos de relacionamentomuitosério até pelas flores solitárias que ganhei depois. TODOS!
8- Me deram comida na boca até os 9/10 anos de idade. E se eu der sopa, saem correndo atrás de mim com a comida até hoje. Minha mãe tem dessas loucuras, galeris, mas eu era magrela e doente, o que não mudou muito nos últimos 12 anos...
9- Eu adoro comer açúcar puro. Isso, açúcar puro. Pegar o potinho, uma colher, um litro d’água e sentar na frente da TV. Sim, eu sei, minha glicose é alta.

Ta aí, depois de mais de uma hora, nove coisas que acho que quase ninguém sabe de mim. 

sexta-feira, 25 de junho de 2010

"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem
importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto."

Fernando Pessoa

terça-feira, 23 de março de 2010

A sete cadeiras de me formar, com um horário sem horários vagos, sem trabalho, estudante profissional, com o coração mais confuso que minhas “caixinhas lingüísticas” que ainda não separam o português do inglês do francês do espanhol: hoje eu quase enlouqueci.
A caminho do shopping pra comprar um casaco, na hora ridícula do trânsito, a Av. Jovita Feitosa parou. Em três longos anos de carteira de motorista nunca tinha passado por isso. E, do mais puro e absoluto nada, começa a surgir aquele comichão estranho, aquela necessidade de sair, aquela vontade de largar o carro e sair andando a pé, aquele frio na barriga como se algo ruim fosse acontecer se eu ficasse ali. É, uma crise de pânico, que não batia desde comecinho de 2007... muitos verões no passado.
Ipod na mão e a mesma música 800 vezes até acalmar. Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo. Saí, então, vagando pelos meus pensamentos empilhados e escondidos lá no fundo de toda minha correria.
Normalmente eu acredito naquela frase do mestre Sabino que diz que as coisas só terminam quando está tudo bem. Sou fã confessa do destino disfarçado de acaso. Quando as coisas devem acontecer, precisamos apenas esperá-las, vai haver uma hora que tudo dará certo. Apliquei essa lei na minha vida na época que simplesmente não conseguia passar pra arquitetura e passei, anos depois, de fato numa época melhor do que a queria ter entrado. Pra mim, é muito óbvio que algumas pessoas, por mais que agora não estejam em minha vida, um dia estarão... E essa parece ser a única manifestação positiva que tenho em todas minhas linhas de pensamento.

Um dia escrevo melhor sobre isso, o transito finalmente fluiu e eu me concentrei, de novo, nos meus problemas reais como pagar o IPVA do carro! 


pra compensar o texto total diarinho, a voz da Fernanda Takai cantando lindamente Coração Tranquilo. Acalma. Juro. 

sábado, 20 de março de 2010

calar, esperar, te olhar, pedir. esperar mias um pouco, esperar outro pouco, pedir. pedir pra que tudo vá bem, pedir pra que nada seja em vão, pedir para que isso se acalme. esperar. te olhar, de novo, e de novo, e de novo.

quando tudo parar, será que ainda vai existir um encanto? 

como a gente realiza um pedido?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

De escrever...
Não lembro ao certo o que eu sentia, mas lembro muito bem da primeira vez que escrevi algo com o intuito apenas de escrever. Eu não devia ter mais que sete anos e escrevi sobre um gato que caia no canal. Junto com a historia, vinham pequenos desenhos que devo ter guardados até hoje...
Agora, escrever parece ser fundamental, pesa chave no quebra cabeças constante da minha vida. São frase soltas no fotolog, narrativas impublicáveis no diário, textos soltos por aqui, exclamações pelo twitter... uma válvula gigante de escape e minha real forma de expressão.
Admiro quem consegue sair por ai apenas pintando, mas meus desenhos precisam de palavras e minhas palavras precisam de poesia. Não da poesia de verso, essa até hoje me é um estranha olhando lá longe. Mas a poesia do lirismo, daquele sentimentalismo meio clichê...

Não, hoje eu não estou fazendo sentido.  Os parágrafos daqui precisaram ser suprimidos com um tanto de outras coisas acolá. Amanhã, quem sabe, eu acorde melhor. Quem sabe?